Ecoeficiência low-tech: a Casa Folha, Angra dos Reis, RJ

Publicado por ecohabitar a November 20, 2008 em Design Inteligente, Materiais Ecológicos, Preservação Ambiental, Projetos | 2 Comentários

Este projeto buscou inspiração em arquiteturas brasileiras indígenas, fruto de climas quentes e umidos como o local da casa, angra dos Reis, Rio de Janeiro.  A cobertura funciona como uma grande folha que protege do sol todos os cômodos da casa, assim como os espaços livres entre eles. Esses espaços livres representam a essência do projeto, e como não poderia deixar de ser, são os espaços mais interessantes e mais utilizados pelas pessoas que frequentam a casa. Têm na maior parte das vezes um pé direito muito alto e permite que o vento dominante de sudeste venha frontalmente do mar em direção e através da casa, provendo a todas as áreas da casa, abertas ou fechadas ventilação e resfriamento passivo. Ecoeficiência low-tech, onde ela tem o maior poder de ação num prédio, o conceito do projeto arquitetônico. (…)

Toda a estrutura da cobertura foi feita em madeira laminada de eucalipto, que devido ao seu processo de fabricação consegue ao mesmo tempo vencer grandes vãos ( 20 metros é o maior da casa) com facilidade e refinamento estético. O telhado, devido á sua geometria complexa é feita em pequenas peças de madeira (pinús). O eucalipto, assim como o Pinus são espécies plantadas para reflorestamento e usadas como matéria-prima consideradas renováveis, pela velocidade que atingem o momento  ideal de serem colhidas. (…)

(leia aqui, na íntegra)

Casa Folha, Angra dos Reis, RJ, 2008

Mareines + Patalano Arquitetura

in Vitruvius/Institucional Outubro 2008

Sustentabilidade: um valor no DNA da Granja Viana

Publicado por ecohabitar a November 17, 2008 em Opinião, Preservação Ambiental | Leia o primeiro comentário

As comunidades, assim como as pessoas e empresas, têm “personalidade” e imagem. Personalidade é o conjunto de características do objeto e a imagem reflete a percepção de terceiros desta personalidade.

Por Rogério Ruschel

A Vila Madalena, o Embu das Artes e a Bahia, por exemplo, têm “personalidades” próprias e imagens definidas. A Vila Carrão, o estado do Espírito Santo e a Zâmbia têm “personalidades” próprias, mas a imagem pode ser difusa. O guru de marketing Philip Kotler, no livro “Marketing Público – Como atrair investimentos, empresas e turismo para cidades, regiões, estados e países”, demonstrou que uma imagem positiva agrega valor aos locais, mas ela só pode ser construída a partir de uma “personalidade” verdadeira. Por exemplo: Na década de 80, Cubatão tinha a imagem de município mais poluído do Brasil. E, ações concretas, como eliminar mais de 250 pontos de poluição do parque industrial, ao longo de 3 anos, (mudando assim sua “personalidade”) permitiram a mudança de sua imagem. (…)

A Granja tem imagem de qualidade de vida “natural”, que os lançamentos imobiliários ressaltam. E nossa personalidade permite que nos consideremos um bairro com amplas condições de trilhar o caminho da sustentabilidade porque seus traços estão em nosso DNA comunitário. Esta vocação tem razões concretas também. A agência bancária mais sustentável do Brasil está na Granja Viana; o Wal-Mart afirma que a loja da Granja é a mais sustentável da rede no país; os proprietários do futuro shopping-center informam que vão adotar técnicas construtivas sustentáveis relacionadas à energia, água, acessibilidade e outros aspectos; a Sispar, proprietária do Condomínio Raízes, me informou o mesmo. (…)

(leia o artigo aqui na íntegra)

in Revista Circuito, Setembro 2008

Pavilhão da Fazenda Carambó, Joanópolis, SP

Publicado por ecohabitar a November 13, 2008 em Design Inteligente, Materiais Ecológicos, Preservação Ambiental, Projetos | Seja o primeiro a comentar

A fazenda localiza-se em um dos muitos vales da região que sobem em direção ao sopé das montanhas e abriga rebanhos de ovelhas, gado bovino e uma pequena floresta de eucalipto. A casa principal está implantada em um platô intermediário, rodeada de mata preservada e de frente para o vale e seu pequeno açude. Foi construída a partir da demolição de uma das típicas casas das fazendas de café da região. Para complementar o programa, os proprietários pediram aos arquitetos um espaço de lazer, onde pudessem reunir amigos e desfrutar a belíssima paisagem montanhosa. (…)

Em contrapartida ao discreto recuo branco da casa, o pavilhão é uma das primeiras construções que se avista desde a entrada da fazenda. O volume de madeira projeta-se sobre o vale em um desenhado e indispensável balanço, apoiado em um plano acima do nível da casa. A implantação perpendicular foi inspirada na disposição comum das construções secundárias onde se secavam os grãos de café. (…)

“Nosso objetivo neste projeto foi propor soluções que não destoassem da paisagem, mas ao mesmo tempo trouxessem o novo e o surpreendente”, explica Viégas ( do una|arquitetos, autores do projeto). Como resultado desse entendimento, a construção esteve totalmente a cargo de mão-de-obra local, assim como a maior parte dos materiais utilizados no projeto também é de uso corrente na região e remete às características construtivas tradicionais do município. É o caso das pedras que recobrem morros e muros e que, no caso do pavilhão, além de estruturar o aterro, abraçam, sem tocar, o volume posterior da construção de madeira e expande seus braços no pátio descoberto. Ou das vigas, terças e pilares de eucalipto da própria fazenda, que materializam o projeto vermelho do pavilhão; dos tijolos de barro queimados na olaria da fazenda; das telhas compradas em um depósito na região.

 

Pavilhão Carambó, Joanópolis, SP, 2002
una|arquitetos

in revista aU, Novembro 2008

ver também Arquitetura&Construção, Setembro 2004

Holcim Awards: 5 projetos brasileiros premiados

Publicado por ecohabitar a November 11, 2008 em Atualidades, Design Inteligente | Seja o primeiro a comentar

Os Holcim Awards são a maior premiação do mundo para projetos de construção sustentável. A competição  é promovida pela Holcim Foundation  e destina-se a projetos provenientes de todo o mundo que apresentem soluções inovadoras, orientadas para o futuro e aplicáveis em construção sustentável. Os premiados brasileiros da edição 2008 bem como detalhes dos trabalhos apresentados podem ser conferidos aqui.

Sustentabilidade na Construção: nem Flintstones nem Jetsons

Publicado por ecohabitar a November 10, 2008 em Design Inteligente, Eficiência Energética, Opinião, Preservação Ambiental, Uso Racional da Água | Leia o primeiro comentário

Na edição do passado dia 22/10/2008 o caderno ambiente da Folha on-line publicou um artigo sob o título “Paulistanos deixam de comprar produtos “verdes” se custarem mais caro” onde, a determinada altura, se diz “…como se fala tanto em sustentabilidade e aquecimento global, a quantidade de informações, muitas vezes contraditórias, confunde e cansa até o mais bem intencionado ecologicamente.”
De fato, o termo “sustentabilidade” tem tantas vezes sido usado, abusado e mal explicado que, ao invés de o cidadão comum se ter familiarizado com o assunto, o efeito produzido foi exatamente o oposto, causando mesmo alguma rejeição.

Na sua vertente ligada à arquitetura e construção, o tema é apresentado freqüentemente oscilando entre duas óticas distorcidas: ora é visto como uma defesa intransigente de materiais e métodos tradicionais recusando qualquer tipo de inovação ou modernidade, ora se supõe que as suas sofisticadas soluções tecnológicas representam um custo inatingível para o cidadão comum. Pois bem, não é uma coisa nem outra. Nem Flintstones nem Jetsons.

A verdade é que o principal objetivo da sustentabilidade na construção é a eficiência energética do edifício durante todo o seu ciclo de vida. Como a concepção dos projetos é feita geralmente pensando apenas nos custos durante a construção, não são levados em consideração sistemas de racionalização energética e de uso de água. A abordagem é errada já que será o utilizador que vai pagar as contas de luz e água durante as décadas de vida útil do edifício. Segundo o Prof. Luiz Ceotto, é durante esse período de utilização cotidiana do imóvel que virá a grande fatia de custos, que poderá mesmo chegar a grossos 80% do total, enquanto que os custos com a construção representarão cerca de 14%. Dito de um outro modo, ao desconsiderar sistemas racionais de energia e de aproveitamento de água logo no projeto da casa nova, a economia conseguida (irrisória se inserida no custo total da obra) custará muito caro ao utilizador durante a futura operação do imóvel.

Vejamos por quê. O grande vilão no consumo de água nas residências é o vaso sanitário cujas descargas podem ser responsáveis por até 40% do total da conta mensal. A tecnologia de captação e aproveitamento da água da chuva hoje disponível pode simplesmente eliminar esse custo em boa parte do ano. Para além das descargas nos banheiros, as águas pluviais podem ser aproveitadas em torneiras de jardim.

Nos lares brasileiros o aquecimento elétrico de água, sistema utilizado pela maior parte da população, responde por 25% a 35% do gasto de eletricidade mensal, segundo dados do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel) da Eletrobrás. Os aquecedores solares são equipamentos que reduzem significativamente os consumos de energia elétrica dos usuários de água quente. Um aquecedor solar bem dimensionado supre com facilidade mais de 70% das necessidades de água quente dos consumidores sendo que os outros 30% podem ser complementados com tecnologias convencionais como aquecedores a gás.

Imaginemos agora estas economias multiplicadas por todos os meses de vida útil da casa nova. Os valores conseguidos, muitas vezes nos primeiros 18 meses, pagam o investimento feito com os equipamentos. Estes, por sua vez, por causa da grande expansão da oferta disponível (com crescimentos anuais próximos de 50% no caso dos painéis solares) e também por políticas públicas de subsídios, têm visto os seus preços descer e hoje podemos encontrar em qualquer grande loja de material de construção kits a preços atrativos e financiados a ser instalados pelo utilizador.

Resumindo, a sustentabilidade na construção é não só possível como necessária e útil. Não é um resgate do passado nem uma ilusão do futuro. Está disponível hoje, a preços acessíveis na loja da esquina e é amiga do nosso bolso, da nossa cidade e do nosso planeta.

por

Maria Martha Nader

in Forum da Construção