Menos é mais: guia para uma casa minimalista

Publicado por ecohabitar a February 23, 2009 em Design Inteligente | 4 Comentários

O Treehugger é um dos sites mais renomados nos Estados Unidos dedicados à temática “verde” nos seus múltiplos aspetos. Membro da equipe, o arquiteto canadense Lloyd Alter, afirma que a chave para a sustentabilidade é simplesmente usar menos. E para usar menos, precisamos melhorar o design das coisas.

Não por acaso, foi o mesmo Lloyd Alter quem escreveu uma crítica sobre um livro recém-editado nos Estados Unidos chamado “The Power of Less: The Fine Art of Limiting Yourself to the Essential…in Business and in Life”  (O Poder do Menos: a Arte de se Limitar ao Essencial… nos Negócios e na Vidae que adota  exatamente a perspetiva de Alter sobre como usar menos.

O autor do livro, Leo Babauta, mantém um site (zenhabits) onde publicou um guia para criar uma casa minimalista. A idéia é livrarmo-nos do que não usamos, atermo-nos ao essencial, evitar desperdícios. Parece fácil, e é, com método e disciplina. Vale a pena dar uma olhada (em inglês).

A urgência da sustentabilidade como janela de oportunidade para a arquitetura

Publicado por ecohabitar a February 13, 2009 em Opinião | Seja o primeiro a comentar

Por Fernando Luiz Lara

(…) “Um rápido olhar sobre as transformações na prática da arquitetura nas últimas três décadas nos revela mudanças intensas como a introdução do computador no final dos anos 80, que, no meu modo de ver, guarda muitas semelhanças com o imperativo atual da sustentabilidade. Assim como agora vários arquitetos reagem contra a “moda” verde, há vinte anos a chegada dos microcomputadores e do CAD suscitou o mesmo tipo de desconfiança. Junto com uma resistência legítima que denunciava a superficialidade dos primeiros experimentos digitais, acabamos por jogar fora várias possibilidades de aprimoramento do processo criativo que só agora estão se firmando, depois que absolutamente todo mundo se tornou necessariamente fluente em desenho auxiliado pelo computador (CAD).

De certa maneira vivemos um momento muito parecido em que são os alunos que demandam mais conhecimento sobre a construção sustentável, assim como a minha geração (formada em 1993) brigava para poder entregar seus trabalhos em CAD, e não unicamente desenhado a nanquim no vegetal. A resistência de grande parte dos arquitetos, embora acertada em relação à exploração superficial do conceito de “arquitetura verde” pelo marketing imobiliário, joga fora o bebê junto com a água do banho ao não perceber as infinitas possibilidades de recuperação do papel social e, em consequência, do prestígio da profissão que o imperativo da sustentabilidade nos apresenta.(…)

 

(leia na íntegra aqui)

 in Revista aU, Fevereiro 2009

Quanto Custa uma Casa?: uma nova abordagem

Publicado por ecohabitar a February 4, 2009 em Design Inteligente, Eficiência Energética, Opinião, Uso Racional da Água | 8 Comentários

Por Maria Martha Nader in Forum da Construção

Pense bem: para o seu orçamento familiar, o que é mais relevante, o preço do imóvel ou o conjunto dos seus custos mensais? O que pesa mais no bolso, as despesas iniciais ou os futuros encargos fixos?

“Constrói-se para vender e não para operar (…) e o consumidor, por sua vez, não tem consciência do custo que terá pela frente”.

Vanderley John in Revista Finestra out/nov/dez 2008

O recente terremoto financeiro mundial tem forçado muitas pessoas a repensar conceitos que nos últimos anos se tinham enraizado fundo em suas vidas. A crescente banalização do crédito, a valorização do real com o decréscimo de preço dos bens importados, uma certa cultura de consumo fácil e desperdício pareciam de súbito tornar bem acessíveis os sonhos de consumo de muitos e levaram muitas famílias a adotar padrões de consumo e modos de vida desajustados. No mercado imobiliário, lançamentos semanais de condomínios/clube com spas orientais, espaços gourmet e centros de meditação encheram o chão de nossas ruas com panfletos em papel couché. O choque com a realidade tem sido violento e assistimos diariamente a especialistas em finanças de diversos sites e programas de TV recomendarem a reavaliação do valor do dinheiro e cuidados extras com endividamentos e despesas. Estamos, portanto em um momento ideal de fazer mudanças e mudar perspectivas. Concentremo-nos, então, na habitação. Qual o custo de uma casa? Quanto custa, realmente, um apartamento?

O tradicional método de avaliar o custo de um imóvel baseia-se no seu preço final ou, quando muito, no custo por m2. Todos já escutamos de alguém que está construindo, comprando ou cogitando comprar uma casa ou apartamento, na altura de comparar possibilidades, ficar apenas na análise desses poucos elementos. No entanto, e excetuando os raros casos em que não há recurso a crédito, esses são dos números menos relevantes a considerar. Muito mais importantes são os muitos fatores ligados com os custos mensais associados ao fato de possuir e habitar um imóvel. Serão as despesas relacionadas com a prestação do financiamento bancário, a taxa de condomínio, os serviços públicos (água, luz, telefone), impostos e taxas municipais, seguros, e as cada vez mais indispensáveis tv a cabo e internet que terão que ser consideradas porque serão elas que virão mensalmente por todo o tempo de vida no imóvel e, portanto, exercem forte peso na sua viabilidade futura.

Deste modo, investir em uma casa não é apenas uma questão de “será que tenho o suficiente para o fazer” mas também, e talvez mais importante “será que num futuro próximo terei todos os meses o suficiente para conseguir mantê-la”.  Não prestando a devida atenção no problema os futuros proprietários poderão tomar decisões negligenciando aqueles custos mensais não tão evidentes quanto os do pagamento do financiamento, aumentando o risco de adquirir um imóvel que um dia não conseguirão manter.

Cuidado, portanto, com aquele sobrado enorme cheio de telhados que você descobriu a preço de banana ou com a amplidão das áreas do projeto bárbaro para aquele terrenão que você herdou. Os custos com aquecimento, refrigeração e manutenção de todo aquele espaço mês após mês, ano após ano tornam-nos muito mais caros em termos absolutos que aquele outro imóvel que você logo descartou por ser menor, “só” ter três banheiros ou custar mais 3.000 reais.

É, portanto altura de mudarmos o jeito como enxergamos o conceito “custo” de um imóvel de modo a que este se adeqüe mais à realidade e nos proteja contra falsas percepções de valor que poderão revelar-se desastrosas no futuro.

Assim, com tantas interrogações ligadas aos custos mensais de propriedade, principalmente na atual atmosfera de incerteza financeira, possuir um imóvel que reduza o risco de esses custos um dia se tornarem insuportáveis é, com certeza, uma solução cada vez mais desejável.

A opção por uma abordagem sustentável na arquitetura, construção ou reforma de imóveis é com certeza o caminho a seguir. Projetos inteligentes, com otimização energética e recurso a tecnologias de uso racional de água e eletricidade, terão um custo similar ao dos projetos e tecnologias convencionais, com a vantagem de gerar por décadas economias nas contas de água e eletricidade. Tomar em consideração variáveis como o microclima do local, a exposição solar e o regime de ventos permitirá a utilização de estratégias passivas de aproveitamento de recursos o que diminuirá consideravelmente os encargos com aquecimento e refrigeração. Para além disso,  a conscientização do mercado sobre os reais custos dos imóveis irá depreciar aqueles cujos encargos mensais sejam maiores o que, aliás, já é detectável em alguns condomínios caros cheios de equipamentos de lazer e que faziam furor até há uns meses atrás. Por extensão, imóveis com custos controlados de manutenção tenderão a valorizar-se.

Deste modo o impacto positivo da mudança de perspectiva quanto ao real custo de um imóvel será duplo. Por um lado os proprietários terão menos chances de se acharem vivendo em imóveis que não conseguem manter e por outro, em um mercado lotado de edifícios gastadores, o imóvel econômico sairá valorizado.

Responda agora: quando planejar o seu novo imóvel, o que será mais decisivo para si, o preço ou o conjunto dos seus custos mensais?

 

Fontes consultadas:

John, Vanderley - Cinco banheiros prá quê? Apresentação-depoimento no II Fórum Nacional da Sustentabilidade da Construção Editora Abril
Kaufmann, Michelle, Redifining Cost, in http://www.mkd-arc.com/ (inglês)
Roaf, Sue, Ecohouse, A Casa Ambientalmente Sustentável, Ed. Bookman

2009: O ano da insustentabilidade?

Publicado por ecohabitar a February 3, 2009 em Opinião | 2 Comentários

Ao final de cada ano, a revista inglesa The Economist lança um número especial com previsões feitas por jornalistas, políticos e gente de negócios sobre o que acontecerá no ano que entra. Na sua 23ª edição, o ano de 2009 é pintado com cores sombrias e tons pessimistas.

Antes de passar às previsões para cada região do globo, a revista dedica espaço a temas que considera mais relevantes e abrangentes. Assim, junto com matérias sobre os desafios de Barack Obama ou sobre a duração e intensidade da crise econômica mundial, Daniel Frank, editor chefe da revista, assina um artigo a que deu o título “O Ano da Insustentabilidade“.

Depois de considerar que “sustentabilidade” foi, em 2008, o conceito da moda para os negócios em geral, o autor afirma que este ano o termo (”nunca claramente definido“) terá para a maioria das empresas apenas um significado: sustentabilidade vai querer dizer continuar de pé. E isso porque com a recessão economica e o risco de falência haverá necessáriamente corte de custos e de empregos, sendo que as despesas com iniciativas sustentáveis serão sérias candidatas ao topo da lista já que não agregam valor no curto prazo e serão difícieis de justificar ante demissões em massa. O baixo preço do petróleo também não ajudará.

No entanto, Daniel Frank, considera que seria errado as empresas concluírem que podem deixar de se preocupar com o assunto. No refluxo da crise, aquelas que provarem que as suas preocupações sustentáveis não eram apenas marketing sairão beneficiadas, já que as forças que compeliram o mercado a adotar esses comportamentos estarão presentes e farão cobranças. No ano de 2009 poderemos, portanto, assistir à separação entre joio e trigo, que tão misturados têm estado na seara da sustentabilidade.

O autor termina com uma frase que pode ser traduzida assim: “Nos últimos anos, tanto governos como empresas têm apregoado os seus compromissos com a sustentabilidade. Em 2009 veremos quão sinceros foram.”

Quem viver, verá.