Casa em Eagle Harbor, Michigan, EUA

Publicado por ecohabitar a July 29, 2009 em Design Inteligente, Materiais Ecológicos, Projetos | 3 Comentários

O arquiteto Nils Finne, que cresceu entre a Noruega e os Estados Unidos, estabeleceu o seu escritório em Seattle, Washington, EUA em 1994, trazendo os elementos tradicionais da arquitetura escandinava à paisagem do litoral do Pacífico-Noroeste americano.

Fazendo uso aprimorado da madeira em estruturas aparentes, combinada com outros elementos naturais (pedra, ferro) a sua Eagle Harbor Cabin, situada às margens do Lago Superior, no Michigan, é um belo exemplo do seu trabalho. Com uma uma parede de vidro de 15 metros com vista para a paisagem espetacular do lago, a construção dispõe de apenas dois volumes: um amplo espaço integrado de living/sala de jantar e cozinha, onde se destaca a estrutura do telhado em madeira aparente, e uma “torre de quartos” com dois pisos, sendo o das crianças no térreo e o dos pais em cima.

O interior conta com painéis de madeira e travejamento aparente nos tetos que realçam as madeiras duras do Michigan como maple e bétula. Nos armários foi usado PLYBOO, um poduto de bambu certificado pelo FSC, com acabamentos em mogno. No exterior o revestimento com painéis de metal corrugado é balanceado pelo volume da chaminé de pedra de Montana no topo leste.

A casa comporta diversos items de sustentabilidade construtiva como as generosas áreas envidraçadas para permitir iluminação natural e ventilação, beirais largos para proteção de sol e neve, e painéis de metal que asseguram durabilidade e baixa manutenção. Os acabamentos internos incluem armários em compensado de bambu, assoalhos e painéis de madeiras da região e tintas com baixo teor de VOC (compostos orgânicos voláteis).

Esta é aliás uma preocupação do Finne Architects. Na home page de seu site pode ler-se que todos os seus projetos são orientados para a conservação de recursos através da utilização de aquecimento e refrigeração passiva de ambientes, maximização de uso de luz natural, e cuidado na escolha de materiais. Para além das estratégias passivas, utilizam também painéis fotovoltaicos e sistemas de permuta de calor no piso.

mais fotos e textos aqui (em inglês)

Casa em Eagle Harbor, Michigan, EUA

Finne Architects

com informações de CONTEMPORIST e FINNE Architects

Minha Casa, Minha Vida: aquecimento solar deixa de ser obrigatório

Publicado por ecohabitar a July 27, 2009 em Eficiência Energética | Seja o primeiro a comentar

in ecodesenvolvimento.org

O uso de sistemas de aquecimento solar nas casas do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida está prestes a sair do papel. No entanto, a utilização de placas solares, que chegou a ser cogitada como item obrigatório dos projetos, será opcional e deverá chegar a apenas uma parte das 1 milhão de casas que o governo pretende construir.

Esta semana, o governo criou um grupo de trabalho para definir os critérios para instalação dos aparelhos e apressar as negociações com as construtoras para que as placas sejam incluídas ainda nas primeiras casas do programa

continue a leitura aqui

Sustentabilidade não é cara: o ASBC

Publicado por ecohabitar a em Eficiência Energética | Seja o primeiro a comentar

A ONG Sociedade do Sol vem desenvolvendo desde 1999 o ASBC (Aquecedor Solar de Baixo Custo), um “projeto gratuito de aquecedor de solar de água, de 200 a 1.000 litros,  destinado a substituir parcialmente a energia elétrica consumida por 36.000.000 de famílias brasileiras usuárias do chuveiro elétrico em casas e apartamentos”.

Esquemas técnicos, manuais, materiais, especificações, estudos comparativos, tudo está disponível gratuitamente no site da entidade que estima em R$300,00 o custo de fabricação do aparelho. Aínda segundo a ONG, “as patentes depositadas foram propositadamente liberadas. Tudo que é desenvolvido na Sociedade do Sol é tornado livre, sendo oferecido gratuitamente ao público através do site .

A Sociedade do Sol ministra aínda periodicamente diversos cursos sobre o tema da energia solar.

Greenwash: chuveiro elétrico mais econômico?

Publicado por ecohabitar a July 24, 2009 em Opinião, Uso Racional da Água | Seja o primeiro a comentar

Desde que as preocupações com o consumo de energia elétrica passaram a estar na ordem do dia, principalmente depois do apagão de 2001, o chuveiro elétrico tem sido tradicionalmente apontado por várias entidades do setor como o vilão do consumo doméstico. No entanto, em Abril último, foram apresentados à imprensa os resultados preliminares de um estudo que pretende demonstrar que, contrariando o pensamento predominante, o chuveiro elétrico é a opção mais econômica para o banho doméstico, se considerados os gastos conjuntos de energia elétrica ou gás mais a água. A repercussão na opinião pública foi grande e não apenas na imprensa especializada, já que o assunto teve honras de matéria no Jornal Nacional, da TV Globo.

O estudo, denominado “Avaliação do consumo de insumos em chuveiro elétrico, chuveiro híbrido, aquecedor a gás, aquecedor solar e aquecedor de acumulação elétrico” foi promovido pelo Grupo de Chuveiros da ABINEE e levado a cabo pelo CIRRA (Centro Internacional de Referência em Reuso de Água). A ABINEE é a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica e o CIRRA é “uma entidade sem fins lucrativos, vinculada à Escola Politécnica da Universidade de São Paulo e à Fundação Centro Tecnológico de Hidráulica.”

Da leitura do relatório parcial apresentado (que pode ser acessado aqui) ficamos, no entanto, com algumas dúvidas. As mesmas que alguns especialistas também sentiram como se pode verificar em uma nota (¹) publicada pelo instituto Vitae Civilis sobre o assunto.

O instituto começa por apontar o erro metodológico do estudo, uma vez que “a comparação entre as diversas tecnologias não controla e não analisa adequadamente todas as variáveis que compõem o custo do banho“. Vejamos por quê:

Um dos argumentos apresentados para defender o uso do chuveiro elétrico seria o de que este seria mais econômico em função do menor consumo de água. Ora, segundo os especialista do Vitae Civilis, essa conclusão “seria possível se obtida com emprego de metodologia que permitisse a comparação de custos entre diferentes vazões para os diferentes equipamentos, entretanto isto não foi investigado no estudo, que utilizou equipamentos de vazões fixas. Ora, se o fator ‘consumo de água’ é o que explica a diferença de custo do banho entre o chuveiro elétrico e o aqucedor solar, e se o estudo fixa vazões menores para o chuveiro elétrico e maiores para todos os outros equipamentos, é claro que nesta configuração os outros equipamentos apresentarão custos maiores para um banho de mesma duração.”

“E mais, o estudo compara chuveiros elétricos de vazão baixa (média de 4 litros por minuto ao longo do estudo) com um aquecedor solar de vazão mais elevada (8,7 litros por minuto), sem sequer trazer uma nota de pé de página observando que existem no mercado chuveiros elétricos com vazões de entre 8 a 10 litros por minuto. Esta consideração seria importante porque, certamente, se o chuveiro utilizado no estudo fosse um destes, os resultados seriam bastante diferentes.” (…)

Não deixa de ser curiosa a escolha dos modelos de chuveiro utilizados. Para o chuveiro elétrico foi usado um modelo da Cardal denominado “compacta“. Para os outros tipos de chuveiro (aquecedor de passagem a gás, aquecedor solar e boiler) foi utilizado um outro modelo da mesma Cardal, este denominado Big Ducha (!). Ante a curiosa nomenclatura dos modelos, algum observador mais malicioso, sabendo quem encomendou o estudo poderia sugerir que o mesmo estaria viciado de início…

A nota do Vitae Civilis continua: “Uma observação adicional precisa ser feita em relação ao dimensionamento do sistema solar utilizado no estudo: pelos resultados apresentados, o sistema solar aparentemente foi sub-dimensionado para a vazão do estudo, o que provoca utilização excessiva do apoio elétrico do sistema.” (…)

“E por fim, mas não menos importante: sentimos falta no estudo de ao menos uma pequena observação sobre os impactos dos equipamentos sobre o setor elétrico e o meio ambiente, dimensões indiretamente captadas pela conta de energia paga pelo consumidor ao final do mês.”

“Para o setor elétrico os chuveiros elétricos instalados no Brasil representam por volta de 18% do pico de demanda do sistema e a aproximadamente 6 % de todo consumo nacional de eletricidade. Comentando este aspecto, o engenheiro elétrico Ivan Camargo, da UnB, afirmou à Folha Online em 16 de abril passado que “se os consumidores residenciais fossem cobrados da mesma forma que os comerciais, que são taxados ao criar picos de consumo, a conta de banho de chuveiro elétrico seria de cerca de R$ 0,44, mais caro que o sistema de energia solar” do estudo.”

“E para o meio ambiente, os investimentos em geração, transmissão e distribuição  de energia  elétrica, para atender ao pico da demanda do sistema representam obras como Jirau, Santo Antônio, Belo Monte e Angra III, entre outros desastres.”

Voltando ao método, o texto do relatório parcial informa que ”foram selecionados 30 voluntários para o uso dos chuveiros. Esses voluntários foram divididos em 6 equipes de 5 pessoas. Cada equipe fará uso de todos os chuveiros e duchas através de um rodízio que ocorrerá a cada 3 meses” e aínda “é bom ressaltar ainda que não existe nenhum controle sobre o tempo de banho, maior ou menor abertura do registro de água ou qualquer outro fator que induza um banho diferente. Os voluntários são apenas divididos por grupos e, cada grupo, por determinado período, é obrigado a tomar banho no ponto x”.

Ora se é assim, para quê a divulgação de resultados parciais quando cada grupo de controle testou apenas um tipo de chuveiro? Se cada grupo testou apenas um tipo de chuveiro não existe aínda controle, certo? E por que razão não foram divulgados aínda os resultados do segundo trimestre?

O conjunto das inúmeras falhas metodológicas e a divulgação de resultados parciais levaram os autores da nota (¹) a declarar que a“divulgação da informação com a parcialidade apresentada pelo grupo de pesquisadores é uma postura incompatível com os preceitos éticos que devem nortear a pesquisa acadêmica e poderá levar a sociedade brasileira ao erro.”

Greenwashing” é uma expressão da língua inglesa que se tornou comum nos últimos tempos para designar os procedimentos de marketing utilizados por uma organização (empresa, associação, etc.) com o objetivo de dar à opinião pública uma imagem de sustentabilidade responsável dos seus produtos ou serviços. A sua tradução para português é um pouco complicada, no entanto, o seu sentido é fácil de ser entendido. Assim, da próxima vez que quisermos explicar o conceito, poderemos referir o caso dos chuveiros elétricos como um excelente exemplo da prática.

(¹) Os autores da nota são: Alexandre Salomão, Eng. Mecatrônico, GREEN-PUC-MG, Aurélio Souza, Engenheiro, Consultor GTZ-Eletrobrás, Carlos Faria, Eng. Mecatrônico, Diretor de Energia Solar da ABRAVA e Coord. da Iniciativa Cidades Solares e Délcio Rodrigues,, Físico, Diretor Executivo do Instituto Ekos Brasil, pesquisador associado do Vitae Civilis e Coord. da Iniciativa Cidades Solares

Energia em França: Leviathan devora os homens

Publicado por ecohabitar a July 22, 2009 em Eficiência Energética | Seja o primeiro a comentar

As iniciativas europeias por matrizes energéticas mais limpas e pela adoção de tecnologias economizadoras têm sido algumas vezes por nós aqui referidas como exemplo a seguir. No entanto…

Numa demanda que opunha a EDF (Electricité de France), principal fornecedora de energia elétrica da França, à Voltalis, uma pequena empresa que instala medidores inteligentes nas residências dos consumidores, gerenciando o seu consumo, a Comissão Reguladora de Energia da França decidiu que a Voltalis deveria indenizar a EDF pela economia de energia que ela proporciona a seus clientes uma vez que isso implicaria num decréscimo de vendas para a produtora.

Os aparelhos, chamados de Bluepod, são distribuídos gratuitamente aos consumidores e são plugados no relógio medidor, comunicando-se com a companhia pela internet. Quando, por exemplo, a demanda de consumo no Verão se aproxima de um pico, o sistema desliga automaticamente os ares condicionados de milhares de consumidores, dispostos a abdicar por poucos minutos desse conforto, evitando a necessidade de produção de energia adicional para fazer face a essa situação pontual.

A empresa declara que a sua tecnologia pode economizar até 10% nas contas de luz dos utilizadores e aínda bilhões em investimentos às empresas produtoras, que deixam de ter que construír novas usinas destinadas apenas a suprir essa demanda de pico.

O modelo de negócio da Voltalis prevê que seja o operador da rede elétrica quem a remunera pelo serviço de gerenciamento do equilibrio entre a demanda e a oferta de energia.

A decisão da entidade regulatória, afirmando que a Voltalis teria que indenizar as produtoras de energia pela eletricidade gerada mas não consumida pelos seus clientes, levou a muitas acusações de excessiva promiscuidade entre interesses estabelecidos no setor energético. Uma matéria da revista de negócios Challenges questiona a influência excessiva que os produtores de eletricidade na França (incluíndo a estatal EDF) teriam sobre a entidade reguladora.

Não é portanto apenas no Brasil que ocorrem absurdos semelhantes de claro atropelo dos interesses do consumidor e de tráfico de influências com entidades públicas.

As últimas notícias do caso contam que, depois de em um primeiro momento ter apoiado a decisão da entidade reguladora, o ministro da energia e ambiente Jean-Louis Borloo, talvez por causa da tempestade política que se seguiu à decisão, veio declarar que um grupo de trabalho será nomeado e terá até ao fim deste ano para propôr as mudanças legais e a implementação da regulamentação necessária para que, não deixando de se favoreçer a economia de energia, se salvaguarde o respeito pelos interesses de todas as partes envolvidas.

Os termos e o prazo da declaração do ministro (até ao fim do ano, grupo de trabalho, interesse de todas as partes) não auguram nada de bom para a Voltaris nem para os consumidores franceses.

com informações do New York Times, La Tribune e Challenges

Medir para melhorar: Procel estuda medidor de consumo

Publicado por ecohabitar a July 21, 2009 em Atualidades, Eficiência Energética | Leia o primeiro comentário

in ecodesenvolvimento.org.br

Com o objetivo de descobrir qual a maior fonte de gasto de energia nos lares brasileiros, está sendo desenvolvido um aparelho capaz de medir o consumo de eletricidade de cada eletrodoméstico. O novo medidor será usado em uma pesquisa nacional que vai traçar os perfis de consumo no Brasil e orientar futuras campanhas de economia. O projeto é uma iniciativa do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel), ligado a Eletrobrás e apoiado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).

Uma vez descobertos quais os vilões das contas de energia elétrica, o Procel pretende criar ações de conscientização específicas para combater o problema. (…)

Atualmente, protótipos do novo medidor e de um software capaz de compilar os dados ainda estão sendo desenvolvidos nos laboratórios do Centro de Pesquisas em Energia Elétrica (Cepel), parceiro do projeto. (o gerente do projeto, Emerson) Salvador estimou que o aparelho já esteja pronto até o fim de 2010, quando será instalado em casas que vão participar da pesquisa. Para registrar o consumo de cada eletrodoméstico, o medidor é instalado no quadro de luz da residência ou ao lado do relógio marcador. O programa é capaz de diferenciar correntes elétricas que estejam sendo emitidas ao mesmo tempo, por exemplo, pelo ar-condicionado, o chuveiro e o micro-ondas.

O levantamento deverá complementar dados obtidos em 2005, quando um questionário foi aplicado a 10 mil consumidores e detectou, por exemplo, o crescimento do uso de ventiladores de teto. Por essa razão, o Procel desenvolveu um selo de economia específico para ventiladores. O selo identifica quais marcas no mercado são mais econômicas e já é utilizado em 21 tipos de eletrodomésticos diferentes, como geladeiras, lavadoras e televisores. (…)

ler o artigo completo aqui

ler mais sobre medição de consumo aqui e aqui e sobre a importância dessa prática aqui.

Menos é mais: cresce a demanda por casas menores

Publicado por ecohabitar a July 16, 2009 em Atualidades, Design Inteligente | Seja o primeiro a comentar

De acordo com a pesquisa sobre tendências no design de imóveis (”Home Design Trends Survey”) feita pelo AIA (American Institute of Architects) referente ao primeiro trimestre de 2009, a demanda nos Estados Unidos por casas com menos espaços e com áreas menores mantém o crescimento dos últimos anos. Proprietários também mostram preferência por tetos mais baixos e optam menos por pés-direitos duplos. Os custos com aquecimento e refrigeração em casas com grandes volumetrias e metragens excessivas tornaram-se onerosos para muitos, principalmente durante a corrente crise económica.

Os arquitetos reportam que melhoramentos como aproveitamento de porões e sótãos e equipamentos de lazer externos continuam populares. “À medida que o “boom” de habitação foi diminuíndo, parece existir um interesse renovado em investir em imóveis no sentido de os tornar mais habitáveis, em contraposição a investimentos imobiliários que garantissem uma revenda rápida para lucro fácil” declarou Kermit Baker, economista-chefe da AIA sobre a pesquisa, que focou especificamente o lay-out e a usabilidade nos projetos.

O interesse em reformas que melhorem a acessibilidade e que permitam que os proprietários permaneçam na mesma casa superando as restrições físicas do envelhecimento continuou em alta. Dos arquitetos inquiridos, 63% reportaram aumento de consultas sobre itens de acessibilidade e 49% disseram que a entrada e saída dos imóveis estavam no topo das preocupações dos clientes. As respostas também revelaram um interesse crescente em plantas flexíveis, que permitam adaptações, (50%) e em imóveis de um só piso (34%).

No que diz respeito ao exterior, as preferências vão para paisagismos de baixa manutenção (67%) e áreas mistas internas/externas.

A AIA publicará o relatório completo da Pesquisa sobre Tendências no Design de Imóveis relativa ao primeiro trimestre de 2009 numa edição futura do AIArchitect.

in ecohome