Reciclagem: em vez de areia, PET moído

Publicado por ecohabitar a October 30, 2009 em Materiais Ecológicos, Preservação Ambiental | Seja o primeiro a comentar

in Revista Sustentabilidade

Um processo que substitui areia por politereftalato de etila (PET) moído na elaboração de argamassa de revestimento ganhou o prêmio Ecopet 2009 na categoria Pesquisa e Processos.

O autor do projeto escolhido é Paulo Paiva Dyer, estudante do 5º ano do curso de graduação em Engenharia Ambiental da Unesp (Universidade do Estado de São Paulo).

Segundo Dyer, além de reduzir a demanda por um recurso natural que é a areia, a argamassa com PET moído tem resistência de compressão mecânica três vezes superior ao seu equivalente feito com materiais tradicionais. (…)

A Abipet (Associação Brasileira da Indústria do PET) promove o prêmio Ecopet anualmente com o objetivo de estimular o uso pós-consumo do PET.

Segundo Auri Marçon, presidente da Abipet, a indústria de reciclagem do PET tem entre 20% e 30% de capacidade ociosa por causa da falta de matéria prima.

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“Economize!” é uma promessa muito cara

Publicado por ecohabitar a October 29, 2009 em Eficiência Energética, Opinião | Seja o primeiro a comentar

O Shelton Group divulgará amanhã o seu estudo Energy Pulse do qual temos divulgado alguns detalhes em posts recentes. Aqui vai mais um.

A publicidade serve-se da capacidade que o cérebro humano tem de preencher vazios para potencializar as suas mensagens. Todos nós já vimos textos que circulam na internet nos quais muitas palavras têm letras em falta. Conseguimos lê-los porque o nosso cérebro preenche os vazios sem darmos conta. Do mesmo modo, quando a publicidade usa mensagens genéricas o público-alvo do anúncio preenche os vazios. Um anunciante que venda um after-shave pode sugerir uma promessa de masculinidade que o receptor da mensagem vai completar com aquilo que isso significa para ele especificamente e de um jeito que - assim espera o anunciante- o leve a querer adquirir o produto.

No caso de eficiência energética, uma promessa genérica de “economia” pode, no entanto, obter o efeito inverso. Isto porque de cada vez que um anunciante diz “compre isto e economize!” (sem especificar o quanto) o seu público-alvo estabelece para si um valor de quanto vai ser essa economia. O que o Shelton Group descobriu depois de dois anos de pesquisa nos Estados Unidos é que essa expectativa, no caso de economia energética, é de 50%.

A pergunta apresentada no estudo era sobre o montante que os consumidores esperavam economizar se investissem 4.000 dólares em eficiência energética nas suas casas. O valor médio das respostas foi de 92 dólares por mês, o que corresponde a cerca de metade do valor médio mensal pago pelos norte-americanos em suas contas de energia. O problema é que o que se pode fazer com 4.000 dólares em termos de eficiência energética não chega para cortar pela metade as contas mensais. Daí que, segundo o estudo, um terço dos consumidores que investiram em eficiência energética se declararam desiludidos com os resultados.

Consumidores desiludidos e frustrados resultam em propaganda negativa ou mesmo raivosa e isso pode ser letal para um produto de um setor aínda envolto em tantos mitos. É bom, portanto, que os fabricantes especifiquem claramente de quanto serão os benefícios econômicos de seus produtos, para que não haja consumidores se sentindo ludibriados por economizarem “apenas” 15% em suas contas.  É que não faz sentido.

com informações de Shelton Group inc.

Bolívia, uma nova Arábia Saudita?

Publicado por ecohabitar a October 27, 2009 em Eficiência Energética | Leia o primeiro comentário

É tema recorrente neste blog as pesquisas em torno de soluções para o problema que constitui o armazenamento de energia provinda de fontes solares ou eólicas e como ele representa o maior desafio para a necessária mudança de matriz energética.

Uma das respostas a esse desafio tem sido a progressiva miniaturização de baterias de diversos tipos. Neste promissor mercado a tecnologia que tomou a dianteira é a das baterias de lítio. Foi ela que possibilitou a explosão de vendas de celulares e laptops e é ela que propulsiona os carros híbridos da nova geração. Por causa disso, espera-se que a procura pelo metal triplique nos próximos 15 anos.

O maior produtor mundial de lítio é a Bolívia, que, no Salar de Uyuni, concentra de 50 a 70% das reservas globais do mineral, perfazendo um total de cerca de 100 milhões de toneladas. Tal fato, associado ao imenso uso potencial do material nas novas tecnologias energéticas, faz com que o país seja visto como uma espécie de “Arábia Saudita” do lítio. Algumas empresas como a LG e a Mitsubishi já mostraram interesse em explorar a mineração mas o governo apenas foi receptivo a consultoria técnica. A Bolívia, apesar de rica em petróleo, gás e estanho e de possuir em seu território a maior mina de prata do mundo é o país mais pobre da América do Sul, o que diz bastante sobre como têm sido explorados os seus recursos naturais. O lítio, elemento fundamental no processo de mudança de matriz energética, pode possibilitar ao país um padrão de desenvolvimento mais sustentável se os seus utilizadores finais forem rigorosos quanto aos critérios de sustentabilidade do seu ciclo de produção. Tal como no Brasil, a riqueza está presente, o potencial também. Será que a promessa vai falhar, de novo?

com informações de Foreign Policy

Walmart: sustentabilidade mainstream

Publicado por ecohabitar a October 26, 2009 em Design Inteligente, Eficiência Energética, Uso Racional da Água | Seja o primeiro a comentar

À primeira vista, trata-se de mais uma unidade da rede Wal-Mart inaugurada no Brasil. Nada que salte aos olhos indica que a loja na zona oeste de São Paulo, aberta no final de abril, seja muito diferente de outras do grupo. O Wal-Mart a “vende”, porém, como sua segunda loja ecoeficiente implantada no Brasil e a primeira com essa concepção a entrar em operação na capital paulista. As lojas eco - expressão cunhada pelo grupo - tornaram-se modelo para as operações da rede no país e foram concebidas para diminuir em 40% o uso de energia elétrica nas edificações e reduzir em 25% o consumo de água. Na realidade, o cardápio de sustentabilidade incorporado à unidade situada na avenida Francisco Morato, no bairro do Morumbi, é bem mais extenso - ultrapassa 60 itens, mas nenhum deles se encontra exposto nas gôndolas. (…)
Atualmente, tornou-se imperativo vincular qualquer empreendimento à sustentabilidade e ao uso racional da energia. No caso do Wal-Mart Morumbi, além do reaproveitamento da água de chuva e do uso da iluminação natural, há a utilização de placas voltaicas para a geração de energia solar, paredes verdes para sombreamento e até bacias e mictórios que funcionam a vácuo, gastando quantidade mínima de água. O planeta agradece. E o Wal-Mart fatura.
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Solar Decathlon: energia para dar e vender

Publicado por ecohabitar a October 23, 2009 em Design Inteligente, Eficiência Energética | Seja o primeiro a comentar

in EcoDesenvolvimento.org

O Solar Decathlon 2009 finalizou na última semana a sua tradicional competição e premiou o modelo de construção mais eficiente quando o assunto é energia solar. Disputando com mais 19 times universitários de todo o mundo, a equipe alemã da Technische Universität Darmstadt se consagrou campeã graças à sua casa capaz de gerar 200% de toda a energia que precisa.

A universidade vencedora, que já havia recebido o prêmio na edição de 2007, preferiu focar na produção de energia excedente e, para isso, utilizou toda a superfície disponível da construção para implantar painéis fotovoltaicos. Assim, todo o telhado e as paredes da casa foram cobertos com placas fotovoltaicas de 11,1 kW em um total de 40 painéis de cristal de silício e cerca de 250 painéis de disseleneto de cobre, índio e gálio (CIGS). O resultado foi a geração de 200% da energia necessária para a casa. A equipe ainda se destacou nos quesitos Arquitetura, Iluminação, Conforto Térmico e Aquecimento de água.

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Insustentabilidade: certificações que mentem

Publicado por ecohabitar a October 21, 2009 em Eficiência Energética, Opinião | 2 Comentários

O Energy Star é um programa conjunto da Agência de Proteção Ambiental e do Departamento de Energia dos Estados Unidos destinado a certificar a eficiência energética de diversos produtos e práticas, com o propósito de ajudar os consumidores nas suas escolhas. A atribuição do selo “Energy Star” fica a cargo do próprio fabricante que deve inserir na embalagem tabelas que especifiquem o seu desempenho energético. Porém, e de acordo com uma auditoria interna do Departamento de Energia, não só essa atribuição tem sido em diversos casos muito abusiva como as autoridades que deveriam fiscalizar a validade das informações pura e simplesmente não o fizeram.

No setor de lâmpadas compactas fluorescentes (LCF) o selo, que deveria identificar apenas 25% dos produtos considerados mais eficientes, foi achado em cerca de 90% dos modelos disponíveis no mercado.

Os selos certificadores de imóveis, nomeadamente o LEED, têm sido também objeto de inúmeras críticas principalmente relacionadas com o fato de o critério para a sua atribuição a edifícios ser a projeção do seu consumo futuro de acordo com estudos apresentados pelos próprios incorporadores. É quase como uma escola em que os alunos recebem a avaliação final no início do ano em função do que dizem que vão fazer durante os 3 trimestres de aulas.

Não cremos que estas notícias recorrentes com acusações sobre falhas e críticas aos diversos selos certificadores, associando-os à prática do “greenwashing” (maquiagem verde), afetem a validade dos argumentos em favor da eficiência energética e dos negócios sustentáveis. Apenas afetam a credibilidade da “indústria” certificadora, o que não é, de todo, a mesma coisa.

com informações de Green Inc. e New York Times

Sustentabilidade na Construção: nem Flintstones nem Jetsons (republicação)

Publicado por ecohabitar a October 19, 2009 em Design Inteligente, Eficiência Energética, Uso Racional da Água | 2 Comentários

Na edição de dia 22/10/2008 o caderno ambiente da Folha on-line publicou um artigo sob o título “Paulistanos deixam de comprar produtos “verdes” se custarem mais caro” onde, a determinada altura, se diz “…como se fala tanto em sustentabilidade e aquecimento global, a quantidade de informações, muitas vezes contraditórias, confunde e cansa até o mais bem intencionado ecologicamente.”
De fato, o termo “sustentabilidade” tem tantas vezes sido usado, abusado e mal explicado que, ao invés de o cidadão comum se ter familiarizado com o assunto, o efeito produzido foi exatamente o oposto, causando mesmo alguma rejeição.

Na sua vertente ligada à arquitetura e construção, o tema é apresentado freqüentemente oscilando entre duas óticas distorcidas: ora é visto como uma defesa intransigente de materiais e métodos tradicionais recusando qualquer tipo de inovação ou modernidade, ora se supõe que as suas sofisticadas soluções tecnológicas representam um custo inatingível para o cidadão comum. Pois bem, não é uma coisa nem outra. Nem Flintstones nem Jetsons.

A verdade é que um dos principais objetivos da sustentabilidade na construção é a eficiência energética do edifício durante todo o seu ciclo de vida. Como a concepção dos projetos é feita geralmente pensando apenas nos custos durante a construção, não são levados em consideração sistemas de racionalização energética e de uso de água. A abordagem é errada já que será o utilizador que vai pagar as contas de luz e água durante as décadas de vida útil do edifício. Segundo o Prof. Luiz Ceotto, é durante esse período de utilização cotidiana do imóvel que virá a grande fatia de custos, que poderá mesmo chegar a grossos 80% do total, enquanto que os custos com a construção representarão cerca de 14%. Dito de um outro modo, ao desconsiderar sistemas racionais de energia e de aproveitamento de água logo no projeto da casa nova, a economia conseguida (irrisória se inserida no custo total da obra) custará muito caro ao utilizador durante a futura operação do imóvel.

Vejamos por quê. O grande vilão no consumo de água nas residências é o vaso sanitário cujas descargas podem ser responsáveis por até 40% do total da conta mensal. A tecnologia de captação e aproveitamento da água da chuva hoje disponível pode simplesmente eliminar esse custo em boa parte do ano. Para além das descargas nos banheiros, as águas pluviais podem ser aproveitadas em torneiras de jardim.

Nos lares brasileiros o aquecimento elétrico de água, sistema utilizado pela maior parte da população, responde por 25% a 35% do gasto de eletricidade mensal, segundo dados do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel) da Eletrobrás. Os aquecedores solares são equipamentos que reduzem significativamente os consumos de energia elétrica dos usuários de água quente. Um aquecedor solar bem dimensionado supre com facilidade mais de 70% das necessidades de água quente dos consumidores sendo que os outros 30% podem ser complementados com tecnologias convencionais como aquecedores a gás.

Imaginemos agora estas economias multiplicadas por todos os meses de vida útil da casa nova. Os valores conseguidos, muitas vezes nos primeiros 18 meses, pagam o investimento feito com os equipamentos. Estes, por sua vez, por causa da grande expansão da oferta disponível (com crescimentos anuais próximos de 50% no caso dos painéis solares) e também por políticas públicas de subsídios, têm visto os seus preços descer e hoje podemos encontrar em qualquer grande loja de material de construção kits a preços atrativos e financiados a ser instalados pelo utilizador.

Resumindo, a sustentabilidade na construção é não só possível como necessária e útil. Não é um resgate do passado nem uma ilusão do futuro. Está disponível hoje, a preços acessíveis na loja da esquina e é amiga do nosso bolso, da nossa cidade e do nosso planeta.