Um ogro é um ogro: de novo os chuveiros elétricos

Publicado por ecohabitar a May 26, 2010 em Eficiência Energética, Opinião, Uso Racional da Água | 10 Comentários

A agência USP de notícias divulgou as conclusões do estudo Avaliação do consumo de insumos (água, energia  elétrica e gás) em chuveiro elétrico, aquecedor a gás, chuveiro híbrido solar, aquecedor solar e aquecedor de acumulação elétrico, elaborado pelo Centro Internacional de Referência em Reuso de Água (Cirra) da Escola Politécnica (Poli) da USP. De acordo com os autores, o estudo enterra definitivamente a fama do chuveiro elétrico como vilão da conta de energia. A notícia repercutiu favoravelmente na imprensa inclusive naquela mais especializada e atenta ao tema. A explicação apresentada para a maior eficiência do chuveiro elétrico face aos outros sistemas em “competição” é o seu baixo consumo de água, ainda de acordo com o estudo, cujas conclusões mais detalhadas estão disponíveis no site do Grupo de Chuveiros Elétricos da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) que, aliás, apoiou a iniciativa. No entanto…

Em Abril do ano passado a mesma entidade havia já divulgado um relatório parcial sobre a pesquisa em causa anunciando os resultados do primeiro trimestre, idênticos aos de agora, antevendo idênticas conclusões e com uma cobertura mediática semelhante. Na época uma nota emitida pelo Instituto Vitae Civilis criticou fortemente a metodologia adotada no estudo afirmando mesmo que “a divulgação da informação com a parcialidade apresentada pelo grupo de pesquisadores é uma postura incompatível com os preceitos éticos que devem nortear a pesquisa acadêmica“. Esse assunto, na altura, foi também objeto de um post neste blog. Como consideramos os argumentos apresentados aínda válidos, repetimos alguns excertos:

(…) se o fator ‘consumo de água’ é o que explica a diferença de custo do banho entre o chuveiro elétrico e o aqucedor solar, e se o estudo fixa vazões menores para o chuveiro elétrico e maiores para todos os outros equipamentos, é claro que nesta configuração os outros equipamentos apresentarão custos maiores para um banho de mesma duração (…)

(…) o estudo compara chuveiros elétricos de vazão baixa (média de 4 litros por minuto ao longo do estudo) com um aquecedor solar de vazão mais elevada (8,7 litros por minuto), sem sequer trazer uma nota de pé de página observando que existem no mercado chuveiros elétricos com vazões de entre 8 a 10 litros por minuto. Esta consideração seria importante porque, certamente, se o chuveiro utilizado no estudo fosse um destes, os resultados seriam bastante diferentes.(…)

(…) Não deixa de ser curiosa a escolha dos modelos de chuveiro utilizados. Para o chuveiro elétrico foi usado um modelo da Cardal denominado “compacta“. Para os outros tipos de chuveiro (aquecedor de passagem a gás, aquecedor solar e boiler) foi utilizado um outro modelo da mesma Cardal, este denominado Big Ducha (!). Ante a curiosa nomenclatura dos modelos, algum observador mais malicioso, sabendo quem encomendou o estudo poderia sugerir que o mesmo estaria viciado de início… (…)

Para finalizar, apenas duas notas:

1) seria interessante que fossem disponibilizados os dados totais do estudo, tal como foi feito para o relatório parcial aqui e não apenas as conclusões do CIRRA e/ou do Grupo de Chuveiros da ABINEE.

2) por se tratar de um assunto que envolve direitos do consumidor e afeta toda a população brasileira, é de lamentar a continuada postura passiva de órgãos de comunicação com responsabilidades cujo trabalho, no caso em questão, se limitou em duas ocasiões a transcrever press-releases de entidades com óbvios interesses na matéria.

Residência em Otter Cove, Carmel, Califórnia

Publicado por ecohabitar a May 25, 2010 em Design Inteligente, Projetos | Seja o primeiro a comentar

Sem grandes comentários, porque absolutamente dispensáveis, algumas imagens da Residência em Otter Cove, Carmel, Califórnia. Integrada na falésia sobre o Pacífico, a Otter Cove Residence foi projetada pelo Sagan Piechota Architecture, com sede em San Francisco, Califórnia. Mais informações, fotografias e plantas podem ser vistas aqui e aqui

com informações de Arch Daily e Contemporist

Lâmpadas LED acessíveis

Publicado por ecohabitar a May 20, 2010 em Eficiência Energética | 2 Comentários

in Ecocidades, blog d’o eco

A era da iluminação a LED está começando para os consumidores comuns. Bem, pelo menos na Home Depot, loja de material de construção e bricolagem americana, que está oferecendo um modelo com capacidade equivalente a uma lâmpada de 40 watts por meros 20 dólares, menos da metade do que custava até então. Ainda é caro, mas compensa porque, segundo a empresa, o novo produto (chamado Ecosmart LED) tem vida útil de 22 anos.

O consumo da lâmpada LED é 80% menor do que a incandescente e 30% abaixo da lâmpada fluorescente. Sobre essa última oferece outras vantagens. A temperatura de funcionamento é ainda mais baixa.(…)

Faltava remover uma barreira para a chegada definitiva do LED no nosso dia a dia: o preço proibitivo. E esse está derretendo.

matéria completa aqui

Uma revolução em jardins verticais

Publicado por ecohabitar a May 19, 2010 em Materiais Ecológicos, Preservação Ambiental | Leia o primeiro comentário

Em Setembro de 2009 publicamos aqui um post sobre os riscos de investir em sustentabilidade na construção sem considerar os seus três pilares em um mesmo nível hierárquico. O exemplo dado foi o de um jardim vertical projetado em Inglaterra que havia desconsiderado os seus evidentes custos futuros de manutenção.

Ao lançar este ano a Lifewall, um revestimento vegetal disponível em painéis de 1 m², a espanhola Ceracasa, fabricante de pavimentos e revestimentos cerâmicos, demonstra a viabilidade do conceito e desmistifica a sua complexidade, uma vez que a sua estrutura modular torna a concepção, a instalação e a manutenção de jardins verticais em um item comum de projeto.

O sistema, à semelhança de outros jardins verticais, faz uso da rega hidropônica e suporta vários tipos de planta. O fabricante recomenda que o Lifewall seja usado em conjunto com outro produto do seu catálogo, o Bionictile. Este é um mosaico cerâmico de revestimento de baixa manutenção e que, exposto à umidade e a raios ultra-violeta, neutraliza os óxidos de nitrogênio presentes no ar de todas as grandes cidades e que são produto da combustão de motores e indústrias.

Ainda segundo a Ceracasa, a simbiose entre o Lifewall e o Bionictile dá-se da seguinte maneira: os óxidos de nitrogênio filtrados da atmosfera pelo Bionictile são transformados em nitratos que funcionarão como fertilizantes, nutrindo as plantas do Lifewall que, por outro lado, integradas em um jardim vertical, constituirão uma fonte de absorção de CO². Resumindo: ao instalar este sistema você ganha um jardim vertical de baixa manutenção que funciona como isolante térmico do edifício, limpa o ar do entorno e elimina CO². Incrível, não?

com informações de Jetson Green

Selos: sustentabilidade ou marketing?

Publicado por ecohabitar a May 13, 2010 em Opinião | Leia o primeiro comentário

Em um comentário a este post, o leitor Joaquim Alvarenga levanta uma questão importante e muito recorrente: como podem os consumidores saber se os selos certificadores defendem mesmo a sustentabilidade ou se se trata apenas de marketing?

No caso em questão, e com a informação de que dispomos, parece tratar-se de uma guerra de marketing.  Afinal, os selos de sustentabilidade também constituem uma marca e como qualquer marca são mais ou menos valorizados dependendo do prestígio conseguido. Assim, não é de estranhar a competição dessas duas marcas pela possibilidade de ostentar a sua placa certificadora em um dos empreendimentos imobiliários mais mediáticos de São Paulo.

Quanto à dúvida do leitor, trata-se de uma questão de credibilidade. É inegável que os selos em questão são emitidos por entidades que desenvolvem trabalho sério e o processo de obtenção do certificado é longo e exigente. No entanto, alguns questionamentos têm sido apontados à confiabilidade das certificações: desde a desadequação à realidade brasileira, por serem adaptações de modelos estrangeiros, ao fato de serem concedidas apenas com base em previsões de consumo ou ainda de deixarem pouco claro o real conteúdo do certificado que emitem. No entanto, apesar das críticas recebidas, cremos que os selos certificadores cumprem um papel importante e que é aquele a que se propuseram de início: facilitar a vida ao consumidor leigo. O cidadão comum, não tendo conhecimentos técnicos sobre consumo de energia, economia de água ou emissão de carbono, quer poder confiar que se adquirir o imóvel com o selo X estará fazendo uma escolha acertada, de acordo com esses critérios. Voltando ao início, isso sucederá enquanto os selos e respetivas entidades credenciadoras conseguirem manter credibilidade no mercado. Se cederem à tentação mercadológica, afrouxarem critérios e banalizarem as certificações, estas deixarão de ser um fator diferenciador e perderão credibilidade.

Para saber mais: o portal Arcoweb disponibiliza entrevista concedida por Daniela Corcuera, Márcio Porto, Paola Figueiredo e Vanderley John à revista PROJETO DESIGN onde falam sobre sustentabilidade nas atividades relacionadas à construção civil, nomeadamente sobre a importância de selos e certificações. Aqui.

Como garantir o conforto térmico em casa

Publicado por ecohabitar a May 6, 2010 em Design Inteligente | 2 Comentários

in UOL Casa e Imóveis

A preocupação com o conforto térmico nas construções em geral e, sobretudo nas casas, tem aumentado consideravelmente nos últimos anos. As pessoas estão mais exigentes com o seu conforto e conscientes com as questões de sustentabilidade e consumo de energia, principalmente dos aparelhos de ar-condicionado. Mas então o que fazer? (…)

O ideal é que a preocupação com o conforto térmico aconteça logo no início do projeto. O correto posicionamento da casa no terreno, a correta localização das aberturas e um estudo básico do regime de ventos da região já resolvem boa parte do problema.

A quase totalidade do nosso território fica no hemisfério sul. Por conta disso, a fachada sul é menos ensolarada durante boa parte do ano e no inverno tende a ficar mais úmida e fria. Aberturas maiores nessa fachada podem significar luz sem a incidência direta do sol e o conseqüente aquecimento da casa. A fachada leste recebe o sol da manhã e a oeste recebe o sol da tarde, com tempo maior de duração e consideravelmente mais quente. Para conter o sol que entra rasante dentro da casa, esquentando os cômodos, só os elementos verticais em frente às janelas são realmente eficientes. Nesse caso, os elementos quebra-sol ou brise soleil são bastante recomendados. A fachada norte recebe sol durante todo o dia, com intensidade maior no inverno do que no verão, qualidade que se reflete até no preço mais alto dos apartamentos face norte nos edifícios. Não é um sol rasante, e um pequeno beiral já é suficiente para barrá-lo.

Os beirais e as varandas, tão característicos da nossa arquitetura, são dispositivos muito interessantes para conter a incidência direta do sol. As varandas ainda proporcionam espaços sombreados e abertos, bastante ventilados e tão agradáveis de estar nos dias quentes.

A ventilação é sempre importante para reduzir a temperatura dos ambientes, ou, pelo menos, a sensação de calor dos ocupantes. Posicionar aberturas em paredes opostas dentro da casa proporciona o que chamamos de ventilação cruzada (o popular vento encanado). Se, além disso, o arquiteto ainda orientar corretamente as aberturas, considerando os ventos predominantes da região, a construção se comportará de maneira muito melhor no calor.(…)

A vegetação pode e deve ser usada para melhorar o microclima da sua casa. Todo mundo já se sentiu mais confortável ao andar num dia quente nas ruas sob as copas de árvores frondosas. As plantas não só são eficientes por sombrear as construções, como a sua respiração resfria o ar em volta. A vegetação ainda retém umidade de orvalho, chuva ou uma rega, o que ajuda a aliviar a temperatura a seu redor. Um jardim sobre a laje de cobertura tem um belo efeito paisagístico, além de isolar a casa do meio externo. (…)

Essas dicas valem para todas as construções. Nas casas já existentes pode ser um pouco mais difícil aplicar todas essas regras, mas os conceitos são igualmente válidos. Fale com o seu arquiteto, pense nessas questões ao construir ou reformar seu imóvel. Mesmo que a decisão final seja a compra de um aparelho de ar-condicionado, a adoção de algumas dessas medidas fará com que as máquinas tenham um melhor desempenho e gastem menos energia para atingir a temperatura ideal.

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