Guerra de certificações?

Publicado por ecohabitar a April 26, 2010 em Eficiência Energética, Opinião, Preservação Ambiental | 2 Comentários

Matéria publicada na Revista Sustentabilidade nos dá conta de situação inédita até agora no Brasil: Apesar de ter construído todo o Complexo Parque Cidade Jardim seguindo os padrões da certificação LEED, do Green Buliding Council Brasil, a incorporadora paulistana JHSF agora optou pela certificação Aqua em três torres comerciais a serem edificadas no complexo.

Segundo Júlio Cezar Aria Saez, gerente de engenharia da incorporadora, a decisão foi tomada pela constatação de que o sistema Aqua seria mais adaptado ao mercado e às condições ambientais do nosso país.

“Inicialmente planejamos certificá-los pelo LEED, mas agora optamos por buscar o selo do Aqua” afirmou o responsável pela JHSF. Saez disse também que apesar de todo o complexo ter sido concebido dentro dos padrões ambientais do LEED, as nove torres do complexo residencial e o shopping não têm a certificação porque a JHSF não solicitou o certificado.

Apesar de não terem ficado muito claros os motivos pelos quais a incorporadora, apesar de todo o complexo ter sido concebido de acordo com os requisitos do LEED, ter optado por não solicitar a competente certificação, o que se pode concluir é que o mercado brasileiro das certificações de edifícios já assiste a brigas de cachorro grande. Isso é sinal da sua importância atual e do peso que as construtoras (e, portanto, o mercado) já atribuem aos selos certificadores para edificações.

leia mais aqui sobre os sistemas LEED e Aqua no Brasil

Políticas de apoio às energias renováveis: aberração econômica?

Publicado por ecohabitar a April 1, 2010 em Eficiência Energética, Opinião | 3 Comentários

Leitores atentos às temáticas das energias renováveis não podem deixar de notar a frequência com que surgem notícias anunciando, um pouco por todo o mundo, inaugurações da “maior usina eólica do mundo” ou de novos recordes de crescimento de produção em centrais de energia solar. No entanto, e tal como já aqui dissemos inúmeras vezes, a sustentabilidade é um tripé, e se lhe falta a “perna” da economia ela desaba, por muito fortes que sejam as outras duas (ambiente e sociedade). Isto a propósito de um documento denominado “Manifesto por uma Nova Política Energética em Portugal” subscrito por 33 personalidades portuguesas (ex-ministros, professores universitários, empresários) e que classifica os subsídios atribuídos aos produtores de energias renováveis e os milhões de euros investidos recentemente no setor pelo poder público como “aberração económica“. Eis o que diz sobre o assunto o semanário Expresso:

A actual política de apoio às energias renováveis “carece de uma profunda revisão”, porque os seus custos “podem ter reflexos extremamente negativos nas condições de vida dos portugueses e na competitividade das empresas“, afirma um manifesto assinado por 33 conhecidas figuras do mundo económico, empresarial e académico.

O documento, intitulado “Manifesto por uma Nova Política Energética em Portugal“, vai ser tornado público a 7 de Abril, na Associação Comercial de Lisboa, e classifica de “aberração económica” os preços subsidiados pagos aos produtores de renováveis .(…)

“Tem-se procurado convencer a opinião pública do pretenso sucesso da actual política energética, mas esta mensagem não podia estar mais longe da realidade”, assinala o manifesto.

Com efeito, esta política “tem vindo a ser dominada por decisões que se traduzem pela promoção sistemática de formas de energia ‘politicamente correctas’, como a eólica e a fotovoltaica”.

E, na perspectiva dos signatários, estas fontes de energia “apenas sobrevivem graças a imposições de carácter administrativo que garantem a venda de toda a produção à rede eléctrica a preços injustificadamente elevados“.

Por outro lado, a corrida às renováveis (…) tem agravado o défice tarifário, uma dívida “que as famílias vão ter de pagar” e que em 2009 atingiu “um valor assustador, superior a 2000 milhões de euros”.

Deste modo, o manifesto considera fundamental “exigir uma avaliação técnica e económica, independente e credível”, da actual política energética nacional, de forma a ter em conta “todas as alternativas actualmente disponíveis”.

Microgeração de energia: balão que enche demais?

Publicado por ecohabitar a March 19, 2010 em Design Inteligente, Eficiência Energética, Opinião | Seja o primeiro a comentar

Oliveira Fernandes foi o autor da primeira legislação portuguesa sobre energia eólica. No entanto, em entrevista ao jornal ionline, o especialista criticou os painéis solares fotovoltaicos e as turbinas eólicas que proliferam nos telhados portugueses questionando a sua utilidade na eficiência energética das casas dos seus utilizadores, uma vez que que desestimulam a imprescindível mudança de comportamentos. A entrevista aborda a realidade portuguesa, onde não existem consumidores dependentes da Eletropaulo, mas é interessante a defesa que um especialista em energia eólica faz dos recursos arquitetônicos e construtivos bem como de “soluções ancestrais adaptadas ao conhecimento de hoje”. Alguns excertos:

O autor da primeira legislação nacional (portuguesa) das eólicas criticou hoje os painéis solares que proliferam nos telhados pondo em causa o seu contributo para a eficiência energética em casa dos portugueses.

Oliveira Fernandes ressalva que “nada do que está a ser feito a nível nacional está errado” em termos de política global, mas no caso dos particulares contesta a chamada microgeração das energias renováveis.

O especialista na área da energia compara mesmo o fenómeno, que permite aos particulares produzirem energia e venderam-na à rede, a um balão que “está a encher demais”. (…) “É preciso tirar as pessoas dessas ideias que vêm de Lisboa e pô-las a terem uma relação com o ambiente e com a energia como vivem todos os dias”, defendeu.

Para este especialista, no caso dos particulares a eficiência não se alcança produzindo, mas utilizando a energia de forma sustentável e entende que há soluções mais prosaicas para alcançar esse fim, desde logo do ponto de vista da arquitetura e da construção.

“Eu quero que as pessoas deixem de pensar nas eólicas ou nessas malfadadas fotovoltaicas”(…)

Para Oliveira Fernandes, há no país (Portugal)”um domínio cultural dos produtores de energia que tem de ser mudado” e “contribuir para a criação de boas práticas”, que podem passar por soluções ancestrais adaptadas ao conhecimento de hoje.

O especialista advoga, por exemplo que se continue com as lareiras em vez dos aquecedores elétricos, e que em alternativa aos painéis fotovoltaicos se recuperem os coletores de água quente solar.

“Cada casa em Portugal devia ter um coletor solar, não um fotovoltaico”, reiterou.

A própria arquitetura e construção dos edifícios são apontadas como fatores determinantes na eficiência energética (…) e a procura de conceitos antigos transportados para a atualidade é apenas um caminho de uma estratégica que defende deve “introduzir vetores inabituais de abordagem energética”.

A “microgeração” de renováveis é para Oliveira Fernandes “mais um palavrão da elite de Lisboa muito centrada na eletricidade”.

“Quando se vive numa aldeia tem de se ver se ao usar lenha estou a ter uma atitude retrógrada ou a fazer bom uso numa atitude moderna do século XXI, com um recurso renovável que vou buscar ali ao lado”, exemplificou.

leia a matéria completa aqui

Bloom Box: não é tudo isso, não

Publicado por ecohabitar a March 9, 2010 em Eficiência Energética, Opinião | 2 Comentários

Foi com grande alvoroço que, nos Estados Unidos, no passado dia 24 de Fevereiro, se apresentou o Bloom Box, da norte-americana Bloom Energy, que se propõe revolucionar o conceito de consumo doméstico de energia. Embora a recepção inicial tenha sido quase entusiástica, alguns observadores mais cépticos não tardaram em jogar alguma água na fervura. Vejamos, a título de exemplo, o que diz o Portal das Energias Renováveis:

Apresentado como o graal da energia, o cubo produzido pela empresa norte-americana Bloom Energy, e baptizado de Bloom Box, promete revolucionar o fornecimento energético para consumo doméstico. Resta saber se conseguirá cumprir - cépticos não faltam.

A Bloom Box foi apresentada o mês passado nos EUA, após oito anos de investigação no maior dos secretismos. O projecto terá consumido um investimento de cerca de 400 milhões de dólares(…) K.R. Sridar, dono da empresa, garante que é possível que cada casa particular passe a ter uma mini-central eléctrica, capaz de alimentar integralmente as necessidades energéticas domésticas. A ser assim, será a tão aguardada revolução energética.

Numa entrevista exclusiva à televisão norte-americana CBS, Sridar explicou que as pilhas de combustível são feitas de areia da praia, que é cozida até formar um pequeno quadrado cerâmico extremamente fino e pequeno. O aparelho é depois revestido por duas substâncias - cuja composição Sridar recusou-se a revelar. Quantas mais placas houver, maior será a produção de electricidade. As pilhas precisam, porém, de combustível para produzirem electricidade.

(…) o uso doméstico da Bloom Box é ainda proibitivo em função do seu preço actual, que varia entre os 700 e os 800 mil dólares (…) Apesar de todos os encómios, especialistas alegam que, na verdade, a pilha da Bloom tem pouco de novidade no que respeita ao consumo, na medida em que não dispensa os combustíveis fósseis.

Resumindo: trata-se de um gerador, dependente de combustíveis fósseis, e sem chance de ser adotado por utilizadores particulares nos próximos anos, por causa do seu preço absurdo. A revolução, por enquanto, foi adiada.

Sustentabilidade desde o projeto

Publicado por ecohabitar a January 18, 2010 em Design Inteligente, Opinião | Leia o primeiro comentário

por Lila de Oliveira, iG São Paulo

Eficiência energética, uso racional da água, preferência por materiais ecologicamente corretos e preservação ambiental estão entre os principais fatores que definem uma casa sustentável, conceito que vem se difundindo no Brasil principalmente nos últimos dois anos.

“De 2007 para cá, os investimentos na área aumentaram vertiginosamente”, afirma David Douek, arquiteto e diretor da consultoria OTEC (Otimização Energética para a Construção).

Douek é credenciado pelo Green Builiding Council (GBC), conselho norte-americano responsável pela emissão do certificado LEED (liderança em energia e design para o meio-ambiente).

As construções que recebem o selo LEED seguem rigorosas regras no que diz respeito a cinco pilares: implantação sustentável, energia e atmosfera, consumo eficiente de água, materiais e recursos, e qualidade interna do ambiente.

Outra importante ferramenta de avaliação dos critérios de sustentabilidade é a AQUA (Alta Qualidade Ambiental), emitida pela Fundação Vanzolini para certificar construções que estejam de acordo com determinados padrões de impacto ambiental e eficiência energética.

Mais específicos, o Procel Edifica (da Eletrobrás, voltado para a eficiência energética das edificações e o conforto ambiental) e o CEPE (Conselho Europeu das Indústrias de Pintura, que distingue as chamadas tintas ecológicas), também têm impulsionado o desenvolvimento da construção sustentável no país.

Apesar dos avanços, ainda há muito a fazer por aqui, a começar pela conscientização sobre a importância do consumo sustentável inclusive depois da entrega das obras, o que ajuda a pagar – em questão de meses, dependendo da área construída – os investimentos nas reformas ou construções ‘verdes’.

Onde construir

Para a arquiteta e bióloga Martha Nader, da Ecohabitar Arquitetura e Construção, todo projeto já deveria nascer sustentável. “É preciso sempre olhar o meio-ambiente como um fator limitante, interferindo o mínimo possível e fazendo a natureza trabalhar a favor da arquitetura da casa”, acredita.

(…)

ler matéria completa aqui, incluíndo esquema interativo demonstrativo dos princípios básicos para construír uma casa ecológica com eficiência energética e uso racional de água e luz.

Repassar o custo da sustentabilidade é absurdo

Publicado por ecohabitar a January 12, 2010 em Atualidades, Opinião | Leia o primeiro comentário

Publicamos, em Agosto do ano passado, notícia acerca de um estudo norte-americano sobre eco-consumo, realizado pelo Shelton Group, que revelava vários estereótipos e mitos consolidados sobre o assunto e como isso acabava prejudicando a eficiência do marketing verde.

Numa entrevista concedida à Folha de São Paulo, Fábio Mariano, professor da ESPM e sócio da consultoria de comportamento do consumidor InSearch, revela que o comportamento do consumidor brasileiro não difere, no essencial, em nada do que foi observado no estudo do Shelton Group para o consumidor norte-americano.

Olhando para a classe C, constituída por famílias com rendas mensais entre R$ 1.000 e R$ 4.500 e que em seis anos engordou em 20 milhões de indivíduos, Fábio Mariano afirma que essa população está descobrindo como é bom consumir, mas não se preocupa muito com o planeta.

FOLHA - A classe C pensa em consumo responsável ou só quer preço?
FÁBIO MARIANO - Ninguém se importa só com o preço. A classe C, por exemplo, vai ver quanto os eletrodomésticos consomem de energia. Mas porque ela está preocupada com a carteira, não com o mundo.

FOLHA - Então a nova classe média não quer saber, digamos, se a carne que compra vem da Amazônia?
MARIANO - Estas pessoas, que até 2000 chamávamos de excluídos, agora estão ganhando uma grana legal para fazer a festa no shopping. E há também o grande boom, que é a expansão do crédito. Mas só isso não adianta. A educação que recebem não está melhor. E precisa ter um certo aparelhamento pessoal para entender o conceito de sustentabilidade.

FOLHA - Mas os mais instruídos pagam mais por produtos verdes?
MARIANO - A classe alta até paga um pouco mais por produtos que favoreçam a sustentabilidade, mas ainda é pouco. Mesmo porque não existem muitos produtos assim no mercado. Você consegue citar dez? E, quando existem, a distribuição é restrita, não é algo disponível para as pessoas da classe C. Vai querer que peguem o ônibus para ir comprar no bairro rico?

FOLHA - Você não considera justo que o custo da sustentabilidade sobre para o consumidor, então.
MARIANO - Não. Repassar o custo da sustentabilidade é absurdo. Essa imagem de que o consumidor que quer pagar mais é consciente, enquanto o que não quer é um assassino que pretende acabar com o mundo… Vocês deliraram, né?

FOLHA - Poucos consumidores parecem pressionar as empresas…
MARIANO - Só os mais esclarecidos. Porque o consumidor tem um monte de problemas. Tem câncer, Aids, é chifrado, tem de pagar a escola do filho. Vai ter que se preocupar também com salvar o mundo quando a esposa está precisando de um medicamento? Querer que o consumidor, além de tudo, pague R$ 5 numa ecobag no supermercado? Empresa que cobra ecobag não tem vergonha.

entrevista disponível aqui.

“Economize!” é uma promessa muito cara

Publicado por ecohabitar a October 29, 2009 em Eficiência Energética, Opinião | Seja o primeiro a comentar

O Shelton Group divulgará amanhã o seu estudo Energy Pulse do qual temos divulgado alguns detalhes em posts recentes. Aqui vai mais um.

A publicidade serve-se da capacidade que o cérebro humano tem de preencher vazios para potencializar as suas mensagens. Todos nós já vimos textos que circulam na internet nos quais muitas palavras têm letras em falta. Conseguimos lê-los porque o nosso cérebro preenche os vazios sem darmos conta. Do mesmo modo, quando a publicidade usa mensagens genéricas o público-alvo do anúncio preenche os vazios. Um anunciante que venda um after-shave pode sugerir uma promessa de masculinidade que o receptor da mensagem vai completar com aquilo que isso significa para ele especificamente e de um jeito que - assim espera o anunciante- o leve a querer adquirir o produto.

No caso de eficiência energética, uma promessa genérica de “economia” pode, no entanto, obter o efeito inverso. Isto porque de cada vez que um anunciante diz “compre isto e economize!” (sem especificar o quanto) o seu público-alvo estabelece para si um valor de quanto vai ser essa economia. O que o Shelton Group descobriu depois de dois anos de pesquisa nos Estados Unidos é que essa expectativa, no caso de economia energética, é de 50%.

A pergunta apresentada no estudo era sobre o montante que os consumidores esperavam economizar se investissem 4.000 dólares em eficiência energética nas suas casas. O valor médio das respostas foi de 92 dólares por mês, o que corresponde a cerca de metade do valor médio mensal pago pelos norte-americanos em suas contas de energia. O problema é que o que se pode fazer com 4.000 dólares em termos de eficiência energética não chega para cortar pela metade as contas mensais. Daí que, segundo o estudo, um terço dos consumidores que investiram em eficiência energética se declararam desiludidos com os resultados.

Consumidores desiludidos e frustrados resultam em propaganda negativa ou mesmo raivosa e isso pode ser letal para um produto de um setor aínda envolto em tantos mitos. É bom, portanto, que os fabricantes especifiquem claramente de quanto serão os benefícios econômicos de seus produtos, para que não haja consumidores se sentindo ludibriados por economizarem “apenas” 15% em suas contas.  É que não faz sentido.

com informações de Shelton Group inc.