Loteamentos: projetando para o terreno

Publicado por ecohabitar a October 15, 2011 em Design Inteligente, Preservação Ambiental | Leia o primeiro comentário

Em um artigo publicado na PINIweb, o geólogo Álvaro Rodrigues dos Santos apresenta uma série de recomendações práticas e cuidados técnicos que deverão ser seguidos no planejamento de loteamentos para evitar os processos erosivos. Seguem alguns excertos, em itálico:

É natural que, no crescimento das cidades, sejam primeiramente ocupadas as áreas de topografia mais suave, sendo com o tempo progressivamente ocupados os terrenos mais periféricos, de relevo mais acidentado e com solos normalmente mais vulneráveis à erosão. Opta-se, nessas novas condições topográficas, em todos os padrões sociais de empreendimentos, por produzir artificialmente, através de operações de terraplenagem pontuais ou generalizadas, áreas planas e suaves para assentar as novas edificações, o que implica em exposições cada vez maiores e mais prolongadas dos solos aos processos erosivos.

Para se ter uma ideia desse caos geotécnico, na Região Metropolitana de São Paulo a perda média de solos por erosão está estimada em algo próximo a 13,5 m³ por hectare/ano, do que decorre a produção anual por erosão de até 8.100.000 m³/ano de sedimentos e sua decorrente liberação para o assoreamento da rede de drenagem natural e construída.(…)

Para além dos motivos expostos, que se prendem com a crescente impermeabilização dos solos, causa principal das enchentes urbanas, associados ao alto grau de assoreamento provocado pelo volumoso aporte de sedimentos, entulhos gerais e lixo urbano, existem motivos mais “egoístas” que podem convencer o empreendedor mais reticente a repensar os seus hábitos construtivos:

(…) os solos superficiais (em nosso clima com 2 metros de profundidade em média), por serem geologicamente mais argilosos e pela cimentação de seus grãos por diversos tipos de óxidos, são muitíssimo mais resistentes à erosão do que os solos saprolíticos inferiores. O ideal, portanto, é não se retirar essa camada superficial de solo; (…) Além de mais resistentes à erosão, os solos superficiais têm melhores características geotécnicas e são mais férteis. Além disso, acrescentamos nós, são mais firmes e consolidados, pelo que requerem um menor investimento em fundações e estrutura que os solos inferiores.

Do mesmo modo, se em terrenos com declividade acentuada se planejar lotes com a maior dimensão paralela às curvas de nível e estimular que as habitações tenham a parte frontal apoiada sobre pilotis (ou expedientes equivalentes), assim evitando encaixes profundos na encosta, a economia conseguida não só em fundações mas também em terraplanagem será considerável.

Em resumo, Do ponto de vista preventivo, é imperioso que a arquitetura e a engenharia brasileiras abandonem o preguiçoso cacoete de adequar o terreno aos seus projetos de prancheta ao invés de adequar seus projetos às características geológicas e topográficas do terreno. Ou seja, deixar de “fabricar”, via intensas e extensas terraplenagens, as áreas planas que seus burocráticos projetos exigem. Os serviços de terraplenagem serão dispensáveis, ou ao menos em muito reduzidos, caso os projetos criativamente se adaptem às condições naturais dos terrenos onde serão implantados. Ganha o empreendimento, ganha a estética, ganha o ambiente.

o artigo completo do geólogo Álvaro Rodrigues dos Santos poderá ser lido aqui, juntamente com outros 3 sobre o tema genérico das enchentes e sua prevenção.

Rede Estúpida

Publicado por ecohabitar a July 27, 2011 em Design Inteligente, Eficiência Energética, Opinião | Seja o primeiro a comentar

Na rotina contemporânea existem muito poucos itens que consumimos todos dias e que deixamos para acertar no final do mês. Água encanada e eletricidade fazem parte desse seleto clube. Uma das implicações desse fato é que, relativamente a esses dois itens essenciais, não temos a menor ideia do que efetivamente estamos pagando quando o consumo de um mês inteiro de diversos aparelhos elétricos, lâmpadas, chuveiros, geladeiras, micro-ondas, etc. vem embolado em uma mesma conta. Para o cidadão comum, esta situação, de tão corriqueira, não causa espanto.

No entanto este é um cenário semelhante a passarmos todos os dias no supermercado, levar tudo o que temos vontade e no final do mês chegar a conta com o total, sem qualquer distinção entre sabão e arroz, leite e papel higienico, feijão e lâmpadas elétricas. Como reagiriamos?

É de fato inacreditável que na época que nos disponibiliza de forna tão acessível a fibra ótica, carros (e celulares!) equipados com GPS, Google Street View, etc., as concessionárias de eletricidade ainda ofereçam o mesmo serviço de há mais de 50 anos. Os mesmos postes, com o mesmo emaranhado de fios, os mesmos problemas com galhos de árvores (e vento, e chuva), os mesmos funcionários que vão medir no reloginho o consumo mensal. Tem mais: quando há uma queda de energia as concessionárias apenas tomam conhecimento do fato através dos telefonemas dos seus clientes irados e para identificar o lugar exato do problema é necessário que um funcionário da empresa saia de carro e ir procurando, ao longo de toda a extensão da linha.

Comparemos esta situação com o setor de telefonia e vejamos a evolução de um e de outro no tal espaço de 50 anos. Vivemos em um país em que os problemas do setor elétrico ainda se prendem com explosões de bueiros da Light no Rio e apagões generalizados cada vez que chove ou venta e as concessionárias, impávidos colossos, perante tal cenário, continuam deitadas eternamente em berço esplêndido. As smart grids (redes inteligentes) são uma miragem distante e representam despesa indesejada para empresas míopes e acomodadas nos seus monopólios. As redes distribuidoras aqui seguem estúpidas.

CBCS, Telhados Brancos e Arborização Urbana

Publicado por ecohabitar a May 30, 2011 em Atualidades, Design Inteligente, Materiais Ecológicos | Seja o primeiro a comentar

Aqui em nosso blog gostamos de divulgar os resultados de pesquisas e estudos publicados sobre os temas de que aqui tratamos. Como a grande maioria desses trabalhos são produzidos nos EUA o seu objeto de análise é, logicamente, o mercado norte-americano pelo que temos normalmente que tentar perceber em que medida é que os resultados obtidos se aplicam à nossa realidade. Porém, esse processo “adaptativo” das conclusões de estudos e pesquisas direcionados a outras latitudes trazem por vezes consequências imprevistas.

O caso mais comentado deste tipo de situação é o dos selos certificadores das construções, objeto de críticas por se limitarem a “adaptar” ao Brasil complexos sistema de avaliações concebidos em sua origem para realidades climáticas, de mercado e de materiais muito diversas da(s) nossa(s).

Um outro exemplo de iniciativa surgido nos EUA e que foi abraçada com algum estardalhaço no Brasil (ver aqui e aqui nossa pequena contribuição para o estardalhaço) foi a campanha One Degree Less | Um Grau a Menos desenvolvida pelo Green Building Council, mais conheciddo por ser a entidade criadora do selo LEED de certificação de edifícios. A campanha defende a adoção de pintura branca para a cobertura de edifícios como forma de esfriar a temperatura em seu interior, economizando energia com refrigeração, mas também minimizando as ilhas de calor dos centros urbanos. Sinal do sucesso da campanha, um projeto de lei proposto pelo vereador Antonio Goulart (PMDB) para tornar compulsória a adoção de telhados brancos na cidade de São Paulo foi aprovado em primeira votação na Câmara Municipal no fim de 2010.

A propósito do tema, o Comitê Técnico de Materiais do CBCS divulgou uma nota sugerindo cautela no uso de materiais refletivos em coberturas e recomendando, em alternativa, o uso de vegetação em telhados, fachadas e ruas, pelo efeito de sombreamento e evapotranspiração que proporcionam e que tem o mesmo potencial de reduzir a carga térmica dos edifícios e as ilhas de calor, além de reter a água de chuva, colaborando para a redução de enchentes, e para aumentar a biodiversidade.

Lendo a integra da nota, é fácil entender que um telhado branco em um clima quente e úmido deixará rapidamente de ser branco já que o clima é o principal fator na colonização por fungos e outros microrganismos com pigmentos escuros. Dito de outro modo, não dá simplemente para fazer copy/paste das práticas de terceiros nem canibalizar o trabalho de pesquisa de outros. Diversas universidades brasileiras têm desenvolvido trabalhos nesta área, adaptados a nossas latitudes, e o próprio CBCS é um ótimo exemplo da excelência das capacidades nacionais em achar soluções sustentáveis locais para o setor da construção. Vamos então aplicá-las!

com informações de PINIweb

Declives: adequando os projetos à natureza

Publicado por ecohabitar a March 11, 2011 em Design Inteligente, Preservação Ambiental, Projetos | Seja o primeiro a comentar

in PINIweb:

Grande parte dos projetos brasileiros segue a cultura técnica da área plana, mesmo em locais com relevos acidentados. A crítica é do geólogo Álvaro Rodrigues dos Santos e tem como alvo arquitetos, engenheiros responsáveis por implantações imobiliárias, urbanistas e empresas municipais e estaduais de habitação.

Segundo Rodrigues, os projetistas deveriam adequar os projetos à natureza, e não modificá-la de acordo com o projeto. O geólogo garante que, se utilizados métodos científicos e técnicas construtivas adequadas, locais com declividade de até 35% de declividade podem receber construções de forma segura. (…)

O fato é que não possuímos no país uma cultura técnica arquitetônica e urbanística especialmente adequada à ocupação de terrenos com acentuada declividade. Isso se verifica tanto nas formas espontâneas utilizadas pela própria população de baixa renda na autoconstrução de suas moradias, como também em projetos privados ou públicos de maior porte que contam com o suporte técnico de arquitetos e urbanistas e têm, apesar do erro básico e grave de concepção, sua implantação autorizada pelos órgãos municipais responsáveis.

Em ambos os casos (…) prevalece infelizmente a cultura técnica da área plana. Isto é, por meio de cortes e aterros obtidos por operações de terraplenagem obsessivamente se produzem os platôs planos sobre os quais irá ser edificado o empreendimento. Esse tem sido o cacoete técnico que está invariavelmente presente na maciça produção de áreas de risco nas cidades brasileiras que, de alguma forma, crescem sobre relevos mais acidentados.

É imperiosa a necessidade do urbanismo brasileiro incorporar em sua teoria e sua prática os cuidados com as características geológicas dos terrenos afetados. Essa nova cultura automaticamente levaria a uma estreita colaboração entre Arquitetura, Geologia e Geotecnia. Como concisa diretriz, podemos entender que está colocado o seguinte desafio à arquitetura e ao urbanismo brasileiros: usar a ousadia e a criatividade para adequar seus projetos à natureza, em vez de, burocraticamente e comodamente, pretender adequar a natureza a seus projetos.

matéria completa disponível aqui

Economizar em projeto?

Publicado por ecohabitar a February 28, 2011 em Design Inteligente, Projetos | Seja o primeiro a comentar

A construção de uma casa é com certeza o maior empreendimento que a maioria dos brasileiros poderá encarar em suas vidas, pela magnitude da empresa, pelo esforço financeiro e mesmo pela carga emocional que representa a construção de um lar que irá abrigar a sua família. Ante essa realidade seria de esperar que uma tal empreitada fosse rodeada dos maiores cuidados especialmente no que concerne ao planejamento da sua execução. Não é assim que acontece.

De fato, a grande maioria das construções que aprovam o projeto de arquitetura nas Prefeituras (e vamos só falar destas, excluindo desta abordagem as construções irregulares) opta por partir direto para a obra, passando por cima de projetos tão importantes quanto o de Cálculo Estrutural, o Projeto Elétrico e o Hidrosanitário, achando que com isso economiza dinheiro que poderá depois usar em acabamentos bacanas no banheiro. O que o cidadão não vê é que essa economia acaba saindo cara já durante a execução da obra.

Tomemos por exemplo o Projeto ou Cálculo Estrutural e o seu “irmão” Laudo de Sondagem de Solo e vejamos o que diz a respeito o site engenharia.com.br: O Projeto Estrutural, também chamado de Cálculo Estrutural é o dimensionamento das estruturas, geralmente de concreto armado, que vão sustentar a edificação, transmitindo as suas cargas ao terreno. Elaborado por um engenheiro civil, esse projeto é de fundamental importância, pois é o responsável pela segurança do prédio contra rachaduras (trincas) e desabamentos. Uma estrutura com lajes, vigas, pilares e fundações superdimensionados representa custos altos e não significa obrigatoriamente segurança. É preciso que haja um perfeito equilíbrio entre o concreto e o aço dentro dos elementos estruturais para que as peças sejam consideradas seguras e, conseqüentemente, toda a obra. Uma estrutura mal dimensionada pode, até, não cair, mas trazer problemas como trincas que são, na maioria das vezes, de solução muito difícil e cara.

Para elaboração do Projeto Estrutural será necessário, além do Projeto Arquitetônico, o Laudo de Sondagem. Esse documento, detalhadamente confeccionado por empresas especialistas em sondagens, apresenta o perfil do solo abaixo do nível zero, ou seja, com todos os tipos de camadas de solos e suas respectivas resistências à compressão. Este laudo é necessário para o dimensionamento adequado das fundações. Sem ele o engenheiro projetista de estruturas deverá prever, por medida de segurança, resistências do solo inferiores, aumentando conseqüentemente as bases das fundações.

Ora o que isto quer dizer é que a economia feita com o laudo de sondagem e o cálculo estrutural vai embora assim que, na execução dessas mesmas fundações, o encarregado pela obra duplica o ferro e o concreto que seriam necessários para o edifício em questão, por não querer ariscar na segurança.

Em Arquitetura, como em quase tudo o resto, um planejamento cuidadoso é via aberta para o sucesso da empreita. Com um conjunto completo de projetos o futuro proprietário da casa terá uma obra mais rápida, sem surpresas ou sustos de cariz financeiro e sem margem para improvisos. Corrigir um erro no decurso de uma obra, implica em jogar material fora, causar desperdício e várias horas de trabalho. Corrigir um erro em um projeto custa apenas um click.

Ferramentas de projeto: maquetes virtuais

Publicado por ecohabitar a January 28, 2011 em Design Inteligente | Leia o primeiro comentário

Os modelos 3D para além de ajudar no trabalho do arquiteto, têm um papel importante na etapa de desenvolvimento do projeto feita em parceria com o cliente. Na verdade, a maioria dos leigos, ao olhar para plantas e cortes de um projeto em duas dimensões, tem grande dificuldade em transformar essa informação em um objeto tridimensional. Em residências unifamiliares, o recurso à maquete tradicional acabava não acontecendo muito, já que poderia representar um acréscimo considerável no custo do projeto. Daí que, não poucas vezes, o cliente percebia que o resultado “não era bem aquilo que ele queria” tarde demais, quando a obra já era iniciada.

A maquetes virtuais, têm, por isso, uma série de vantagens. Os seus recurso visuais permitem panorâmicas e visitas pelo interior do imóvel, tornam as reuniões de acompanhamento com os clientes muito mais produtivas e facilitam as suas tomadas de decisão, já que diferentes propostas podem ser examinadas no ato e com um grau de compreensão impossível de atingir sem este recurso.

Como o cliente “vê” a casa e pode mesmo fazer um “test-drive” do produto acabado antes de gastar um tostão com a obra, a ansiedade de ter a casa pronta para ver o resultado final diminui consideravelmente. Portanto, para além de possibilitar uma melhor fluidez no trabalho e por isso reduzir prazos e custos, as maquetes virtuais fazem também bem à saúde e aos relacionamentos entre arquitetos e seus clientes.

A obra como uma indústria

Publicado por ecohabitar a December 30, 2010 em Design Inteligente, Opinião | Seja o primeiro a comentar

in Techné

Em entrevista concedia à Techné o Engenheiro Carlos Schettert relativiza a situação atual da construção civil de escassez de mão de obra. Para ele, essa não é - ou pelo menos não deve ser - a maior preo­cupação do setor. A principal lição que toda a cadeia da construção deve aprender neste momento de grande crescimento é o planejamento.

Segundo Schettert o futuro da construção no Brasil será a almejada montagem no canteiro. Por enquanto, o engenheiro analisa que estamos na fase de desenvolvimento industrial, ainda tornando custos de sistemas industrializados compatíveis com o mercado. Aquele conceito bem conhecido de que obras na Europa ou nos Estados Unidos gastavam mais tempo em projeto e planejamento, enquanto no Brasil era o contrário, “já virou lenda”, conta Schettert. Hoje, não é admissível improvisação e retrabalho. Outros conceitos, como desempenho, sustentabilidade e coordenação modular, também foram discutidos pelo engenheiro na entrevista. Seguem alguns excertos da conversa:

A logística das obras ainda segue um padrão artesanal. Como é possível melhorar esse aspecto?
Repensando a obra como uma indústria. Temos que investir em equipamento, conceber um planejamento do canteiro, do transporte interno e dos processos produtivos, aproximando a cadeia produtiva, que é parte integrante. Utilizo ferramentas como Just in Time e a empresa [fornecedora] como parceira. Por exemplo, não uso mais lata de tinta, e sim um saco plástico com volume adequado e entregue no tempo adequado para cobrir determinado ambiente. Assim, elimino o desperdício, além do problema do lixo tóxico.

(…)

Sua construtora vem sentido a necessidade de incorporar processos mais industrializados?
A industrialização tem que ser um conceito genérico, como um processo produtivo bem desenhado. Posso citar exemplos de casos clássicos, como armadura dobrada, até processos mais elaborados como kanban, que é uma ficha em que se desenha a alvenaria, o número certo de blocos. O operário segue a lista, recebe a quantidade certa de material, e não há desperdício. Começa, assim, uma redução significativa das perdas, do tempo, do retrabalho. A industrialização sempre vai agregar valor para as empresas: diretamente, pelos resultados práticos, ou indiretamente, como um conceito a dar resultado no futuro.

(…)

Como equilibrar custo e desempenho em um empreendimento?
Desempenho deve ser pré-requisito. A partir dele, deve-se buscar custos competitivos, e, consequentemente, os processos que melhor se ajustem. Desempenho é primordial, não se admite mais o custo pós-obra. Então, são necessários produtos e processos com desempenho, para que o cliente final fique satisfeito. A esmagadora maioria das pessoas que compram um imóvel está fazendo a compra de sua vida. Esse produto tem que apresentar bom desempenho. Não se pode fazer, em nome da velocidade ou da demanda extraordinária, algo que não tenha desempenho.

(…)

Quais são os gargalos técnicos da construção atual? O que precisa ser atacado com maior urgência?
Hoje nosso maior problema é a aprovação de projetos. Quando começou essa demanda extraordinária de obras, os órgãos e concessionárias que aprovam os projetos não cresceram na mesma proporção que nós, eles ainda contam com a mesma estrutura. Um projeto que era aprovado em seis meses, hoje leva um ano; uma licença ambiental que saía em 90 dias hoje também leva mais de um ano. E nós multiplicamos por dez nossa capacidade produtiva.

E na produção, quais as dificuldades?
Além do gargalo da mão de obra, há um gargalo em alguns insumos, mas algumas fábricas estão se ajustando. No passado recente, o cimento e o aço subiram, começamos a importar, e a recessão do mercado internacional favoreceu a importação, pois está sobrando material no exterior. Um terceiro gargalo são os repasses bancários. A velocidade com que nós construímos e realizamos processos de transferência de contrato com os usuários está maior que a capacidade dos bancos de processá-las. Quando o cliente vai assinar o contrato, o banco leva muito tempo. É inadmissível.

(…)

A construtora já sente uma demanda dos compradores para que haja sistemas ou ações sustentáveis nos novos empreendimentos? Qual é a maior procura?
Vejo uma evolução. É preciso que comecemos a pensar sistemicamente no nosso envolvimento com o meio ambiente, estamos envolvidos no processo ambiental como um todo. Isso vai desde a concepção do projeto ao resíduo final. Significa não só aproveitar a água de chuva em reservatórios separados, mas implementar sistemas factíveis com os conceitos de sustentabilidade. Se um terreno não propicia certo sistema, não tem sentido aplicá-lo. Nossos projetos, nossa legislação, nossa exigência e cultura têm que evoluir paralelamente.

E em relação aos clientes, eles já procuram por empreendimentos que apresentem ações sustentáveis?
No ano passado, quando assistimos a grandes catástrofes em todo o planeta, houve um bombardeio na mídia sobre a exigência e conscientização da população como um todo. Obviamente, começamos a perceber que o processo, como vem sendo feito, precisa evoluir, para que possamos conviver no meio ambiente. Essa evolução passa desde o conceito mais radical ao mais tolerante. Estamos buscando um equilíbrio adequado para que possamos potencializar nossas reservas com desenvolvimento humano. O assunto é amplo e complexo, mas é indispensável e urgente. Nas obras de interesse social, a exigência é menor, mas deveria haver uma conscientização dos órgãos registradores, dos órgãos produtores, das empresas e fornecedores.

matéria completa aqui

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Habitação industrial: alguns casos

Casa: um objeto industrial