Quanto gasta a sua casa: um novo paradigma imobiliário

Publicado por ecohabitar a December 15, 2010 em Design Inteligente, Eficiência Energética, Opinião, Uso Racional da Água | Leia o primeiro comentário

No mercado brasileiro, à semelhança do que já sucedeu em outras latitudes, assiste-se a uma progressiva universalização do crédito. No caso do mercado imobiliário, o montante total financiado no país bate novos recordes a cada trimestre, os prazos de financiamento estendem-se a 30 anos, o percentual do empréstimo já bate nos 80% do preço do imóvel (em alguns casos chega mesmo à totalidade) e construtoras que financiam diretamente possibilitam mesmo pagar o valor de entrada em até 10 vezes no cartão de crédito.

Chegamos assim a uma situação impensável há poucos anos: o cidadão comum pode assinar a escritura de compra do seu imóvel sem ter que meter a mão no bolso. O critério que orienta a compra deixa de ser o valor da etiqueta com o preço e passa a ser o montante da parcela mensal a ser paga. Ante a perspetiva de uma casa nova, a pergunta a ser feita deixa de ser “será que tenho o suficiente para comprar?” para passar a algo como “será que terei todos os meses o suficiente para conseguir mantê-la?“.

Nesta nova realidade, o custo do imóvel passa a ser o valor da prestação mensal do financiamento acrescida dos demais encargos mensais como o seguro obrigatório, condomínio, contas de água, luz, etc.  Assim, dois imóveis com o mesmo preço de venda e financiados nas mesmas condições podem, no entanto, ter custos bem diferentes dependendo de como o projeto arquitetônico de cada um tratou temas como eficiência energética, racionalização do consumo de água ou simplicidade de manutenção.

Em um mercado imobiliário em que a grande maioria ainda projeta e constrói com foco na venda e não na futura utilização do imóvel, unidades menos gastadoras ganham uma clara vantagem competitiva que poderá se acentuar se se confimarem as projeções para os próximos anos de elevação de preços de água e eletricidade acima da inflação.

A lâmpada híbrida da GE

Publicado por ecohabitar a October 28, 2010 em Design Inteligente, Eficiência Energética | 3 Comentários

A General Electric anunciou recentemente que em 2011 irá lançar no mercado norte-americano uma lâmpada híbrida de halogêneo e fluorescente. A ideia é ultrapassar o problema de temperatura que afeta as lâmpadas fluorescentes, que só atingem a sua luminescência total depois de um período de aquecimento.  O novo modelo, que na verdade comporta duas lâmpadas dentro da ampola, soluciona a questão através da lâmpada de halogênio, que se aloja no interior da espiral fluorescente, e que funciona apenas enquanto a sua “colega” ganha potência.

O fabricante afirma aínda que esta nova tecnologia reduziu substancialmente o teor de mercúrio utilizado por unidade, um dos principais óbices levantados contra a utilização (e descarte) das lâmpadas fluorescentes. O tempo de vida do novo produto é estimado como sendo semelhante ao das fluorescentes tradicionais, ou seja, 8.000 horas.

com informações de  Green Tech

A sustentabilidade pode limitar a produção arquitetônica?

Publicado por ecohabitar a October 11, 2010 em Design Inteligente | 2 Comentários

A revista Techné, na sua edição 162, de Setembro passado, fez uma matéria de capa a que deu o título Questões de Sustentabilidade” em que publica as respostas de especialistas para 40 questões que considerou fundamentais sobre sustentabilidade na construção, organizadas por áreas de interesse. Pela qualidade dos especialistas consultados e pelo extremo interesse das abordagens feitas aos temas escolhidos, fazemos nossas as palavras finais do editorial: “Uma edição para ler, guardar e consultar sempre”. Reproduzimos em seguida parte da resposta do Arquiteto e Urbanista Paulo Lisboa, membro do Conselho Deliberativo do CBCS, a uma pergunta feita sobre as limitações que a sustentabilidade poderia causar à Arquitetura:

A sustentabilidade pode comprometer os anseios do arquiteto e limitar a produção intelectual e artística, empobrecendo os projetos? Como a sustentabilidade pode se casar com harmonia com a arquitetura?

Entendemos que não. A sustentabilidade não compromete o projeto nem limita a atuação do arquiteto. Há algum tempo estamos refletindo sobre o assunto no Comitê Temático de Projeto do CBCS (Conselho Brasileiro de Construção Sustentável), com temas ainda emergentes do grupo de sustentabilidade da AsBEA (Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura). Sempre afirmamos que a sustentabilidade não é um objetivo em si a ser alcançado. Não é uma situação estanque, mas sim um processo, um caminho a ser seguido. (…)

Não existe a fase ou etapa “sustentabilidade” no processo projetual. Quando isso ocorre pouco se agrega ao resultado final. Existe, sim, a opção pelo sustentável que permeia todo o processo. Esse exercício permanente e constante de lidar com o desejo ao desenvolver seu trabalho pode trazer dúvidas e conflitos ao projetista. A natureza sempre foi e é minimalista. Usa com eficiência a economia de recursos. Isso quer dizer que seremos obrigados a fazer uma transição. Desenvolvemos o saber e o saber fazer com a sociedade de consumo. Vamos ter que fazer o mesmo com a sociedade da sustentabilidade.
Assim, o desafio está em aprender a lidar com esses valores, com as novas possibilidades e conhecimentos tecnológicos que nos permitem criar modelos e soluções adequadas às demandas atuais. Aliás, se fala muito que a boa arquitetura foi, é e será sempre sustentável naturalmente. Não discordamos, apenas entendemos que é necessário aprofundar essa avaliação e desenvolver instrumentos que possibilitem a medição inequívoca de boa parte dessas qualidades.(…)

matéria completa aqui

Sua casa sustentável pronta em 60 dias por R$45 mil (II)

Publicado por ecohabitar a September 23, 2010 em Design Inteligente, Eficiência Energética, Uso Racional da Água | Leia o primeiro comentário

Quando, em Março, fizemos este post sobre o projeto “Minha Casa Holcim“, fomos inundados de e-mails que nos perguntaram como fazer para aderir, onde procurar, etc. Para os interessados, chega a notícia que a primeira unidade do projeto foi inaugurada no passado dia 14, em Viana, Espírito Santo.

O empreendimento foi possível graças a uma parceria com a loja Colodetti Materiais de Construção Ltda., que investiu cerca de R$ 500 mil para montar a construtora e adquirir equipamentos, quiosques e terrenos. Os donos prevêm a construção de outras 20 a 30 casas no decurso do próximo ano já que há mais de 40 interessados cadastrados.

Existem cinco modelos de habitação, com áreas de 46 m² a 68 m² cujo preço oscila entre R$ 1mil e R$ 1,2 mil por m². O grande diferencial do sistema é que o cliente compra na loja um pacote pronto que engloba projeto, todos os materiais e a mão-de-obra.

com informações de Construção Total, PINIweb e ESHoje

Concreto armado, eu te amo: Casa da Madalena, Gaia, Portugal

Publicado por ecohabitar a September 21, 2010 em Design Inteligente, Projetos | 3 Comentários

O escritório português Carlos Castanheira & Clara Bastai, Arquitectos Lda não está no topo da lista dos preferidos dos fabricantes de revestimentos, tintas, ladrilhos, mosaicos e outros acabamentos. Eles preferem dar o protagonismo aos materiais brutos, como madeira e concreto e não se limitam a não ocultá-los. De fato, trata-se um exibicionismo frontal, sem subterfúgios, que já aqui mostramos na bela Casa Adpropeixe, um hino de amor à estrutura de madeira, e que agora trazemos, em versão concreto armado, na Casa da Madalena. Vejamos o que diz o autor do projeto:

O programa foi-me apresentado muito definido, claro: sala comum, cozinha, pequeno escritório, três quartos, espaço de garagem e alguns arrumos. Aproveitamento do espaço exterior e privacidade.
A Casa da Madalena e seu programa está organizada em três volumes.
O volume central onde estão organizadas as funções sociais, o volume a poente onde estão organizados os três quartos e dois banhos e o corpo ou anexo a nascente caracterizado pelo coberto de garagem e o volume de arrumos e área técnica. (…)

Optei por paredes estruturais em betão aparente e de aparência bruta (…) O resto foi preenchido por estruturas de madeira e vidro. (…)

No interior as paredes de betão deram lugar a paredes em gesso cartonado pintadas de branco, madeira de riga, estrutural nos tectos e caixilharias que também têm funções estruturais.
O piso é todo em xisto, o interior e o exterior, numa continuidade pretendida.
Cobertura e impermeabilização em chapa de cobre.

veja mais fotos e texto aqui e aqui

Casa da Madalena
Madalena, Vila Nova de Gaia, Portugal, 2003 - 2008

Carlos Castanheira & Clara Bastai, Arquitectos Lda

Plumen: o design chega às CFL

Publicado por ecohabitar a September 13, 2010 em Design Inteligente, Eficiência Energética | Seja o primeiro a comentar

As lâmpadas CFL popularizaram-se no Brasil depois do apagão de 2001. Apesar do notável desempenho em termos de consumo, principalmente se comparadas com as tradicionais incandescentes, as compactas fluorescentes não conseguiram cumprir os vaticínios iniciais que as colocavam na hegemonia absoluta do mercado. A qualidade da luz proporcionada, o seu design questionável e, sobretudo, o advento da tecnologia LED pareciam condenar as CFL a uma mera etapa de transição na história da iluminação doméstica ou, quando muito, às franjas menos exigentes do mercado. Para reverter a situação e ganhar a confiança dos profissionais de iluminação (que mantiveram sempre uma indisfarçada distância face às espirais fluorescentes) as principais marcas investiram em tonalidades de luz mais “mornas” e em formatos que mimetizavam os bulbos tradicionais.

Um fabricante britânico foi agora mais longe e apresentou ao mercado a primeira CFL concebida por um designer. Depois de alguns anos de desenvolvimento a Hulger, em parceria com o estúdio de Samuel Wilkinson, deu à luz a Plumen, uma lâmpada destinada a uma produção em massa e que pretende, em um futuro próximo, ocupar um posição dominante nas prateleiras da IKEA, Home Depot ou, em português do Brasil, Tok&Stok e etna. A Plumen é uma lâmpada de 11W (iluminação equivalente à de uma incandescente de 60W) tem um tempo de vida estimado de 8 anos e custa, no Reino Unido, salgadas £20,00.

com informações de inhabitat

leia aqui sobre a vida dura das lâmpadas CFL nos EUA

Painéis fotovoltaicos autocolantes

Publicado por ecohabitar a September 6, 2010 em Design Inteligente, Eficiência Energética | 2 Comentários

A ideia já nos era familiar através das figurinhas autocolantes e da fita adesiva de dupla face.  Agora a Global Solar acaba de lançar o painel fotovoltaico autocolante. O produto, designado como PowerFlex BIPV,  apresenta-se em módulos de 600×50 cm e será aplicado diretamente em telhados planos, sem necessidade de cálculo de ângulo de incidência solar, “mão-de-obra especializada” ou pesadas estruturas de metal. O fabricante afirma que, por não possuir molduras ou qualquer estrutura associada, o PowerFlex BIPV não necessita de espaço entre os módulos, possibilitando um melhor rácio de aproveitamento da área de telhado, e, consequentemente, gerando mais energia. A Global Solar aponta como principal destinatário, numa primeira fase, o mercado de edifícios comerciais.

As notícias sobre a nova geração de painéis fotovoltaicos não são novidade por aqui. A curiosidade e o interesse do público sobre essa tecnologia não encontra eco no mercado nacional, para o qual “energia solar” é sinonimo apenas de aquecedores de água. Não faz sentido que um país do tamanho do nosso com condições naturais que outros pagariam para ter, que assiste a um período de crescimento como o que experimentamos agora, com necessidades de investimento em infraestruturas de energia e com um discurso oficial voltado para a adoção de fontes limpas e alternativas abdique completamente de uma tecnologia pronta, testada e comprovadamente eficaz. A situação no mercado energético brasileiro atual assemelha-se muito à do setor automóvel nacional do início da década de 90: isolado do mundo, tecnologia desfasada, não satisfazendo as necessidades do público e beneficiando apenas uns quantos. Na época, a mudança na situação se deu com a abertura do mercado sob Collor. Não vamos precisar pagar um preço tão caro neste caso, vamos?

com informações de Green Tech, cnet news