Eficiência energética no setor residencial: desafios para os setores público e privado

Publicado por ecohabitar a August 31, 2011 em Eficiência Energética | Seja o primeiro a comentar

In Revista Téchne

O Brasil vive um marco em sua história econômica que tem reflexos diretos sobre o mercado da construção civil. Nas duas últimas décadas, o País superou a hiperinflação e experimenta hoje certa estabilidade da moeda. A conjuntura econômica, a definição da Política Nacional de Habitação (PNH), que atualizou o sistema financeiro para habitação no País, e a aprovação de leis que regulamentaram o setor são algumas das razões que explicam o crescimento, nos últimos anos, da construção civil, principalmente nos segmentos voltados para a baixa renda.

O relatório “Brasil sustentável: potencialidades do mercado habitacional” (FGV et ali, 2008) projeta um significativo crescimento para o setor até 2030. O cenário mais conservador estima a produção de 37 milhões de unidades habitacionais. A figura 1, ao lado, mostra a previsão de crescimento para o setor.

Em média, a cada ano no Brasil será construído um número de domicílios equivalente a quase duas cidades do porte de Belo Horizonte, que de acordo com o Censo 2010 (IBGE, 2010) possui 846.433 domicílios particulares. Ao final do período analisado, estima-se um aumento de aproximadamente 55% no número de domicílios em relação a 2010. Esse crescimento deverá ter repercussões importantes sobre a questão energética nacional, não apenas devido à elevação do número de unidades habitacionais. De acordo com a Agência Internacional de Energia (2006), o crescimento econômico previsto para o País provocará uma significativa elevação do consumo per capita de energia no setor residencial.

Diante deste quadro, este artigo se propõe a discutir a questão da eficiência energética no setor residencial. A discussão tem como foco evidenciar alguns desafios que precisam ser superados tanto pela esfera pública como pelo setor privado e apontar algumas estratégias para transpor as barreiras técnicas e regulatórias visando à melhoria do desempenho energético das edificações. Pretende-se objetivamente chamar a atenção dos empresários da construção civil sobre o impacto que seus produtos podem ter sobre a política energética brasileira.

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Rede Estúpida

Publicado por ecohabitar a July 27, 2011 em Design Inteligente, Eficiência Energética, Opinião | Seja o primeiro a comentar

Na rotina contemporânea existem muito poucos itens que consumimos todos dias e que deixamos para acertar no final do mês. Água encanada e eletricidade fazem parte desse seleto clube. Uma das implicações desse fato é que, relativamente a esses dois itens essenciais, não temos a menor ideia do que efetivamente estamos pagando quando o consumo de um mês inteiro de diversos aparelhos elétricos, lâmpadas, chuveiros, geladeiras, micro-ondas, etc. vem embolado em uma mesma conta. Para o cidadão comum, esta situação, de tão corriqueira, não causa espanto.

No entanto este é um cenário semelhante a passarmos todos os dias no supermercado, levar tudo o que temos vontade e no final do mês chegar a conta com o total, sem qualquer distinção entre sabão e arroz, leite e papel higienico, feijão e lâmpadas elétricas. Como reagiriamos?

É de fato inacreditável que na época que nos disponibiliza de forna tão acessível a fibra ótica, carros (e celulares!) equipados com GPS, Google Street View, etc., as concessionárias de eletricidade ainda ofereçam o mesmo serviço de há mais de 50 anos. Os mesmos postes, com o mesmo emaranhado de fios, os mesmos problemas com galhos de árvores (e vento, e chuva), os mesmos funcionários que vão medir no reloginho o consumo mensal. Tem mais: quando há uma queda de energia as concessionárias apenas tomam conhecimento do fato através dos telefonemas dos seus clientes irados e para identificar o lugar exato do problema é necessário que um funcionário da empresa saia de carro e ir procurando, ao longo de toda a extensão da linha.

Comparemos esta situação com o setor de telefonia e vejamos a evolução de um e de outro no tal espaço de 50 anos. Vivemos em um país em que os problemas do setor elétrico ainda se prendem com explosões de bueiros da Light no Rio e apagões generalizados cada vez que chove ou venta e as concessionárias, impávidos colossos, perante tal cenário, continuam deitadas eternamente em berço esplêndido. As smart grids (redes inteligentes) são uma miragem distante e representam despesa indesejada para empresas míopes e acomodadas nos seus monopólios. As redes distribuidoras aqui seguem estúpidas.

Lacuna Verde

Publicado por ecohabitar a April 29, 2011 em Eficiência Energética, Opinião | Seja o primeiro a comentar

A OgilvyEarth é uma empresa de consultoria em sustentabilidade que atua sobretudo nos mercados norte-americano e chinês. Pesquisando sobre os hábitos do consumidor médio publicou recentemente um estudo denominado Mainstream Green em que identificou o que chamou de “Lacuna Verde” (Green Gap) que mais não é do que a diferença entre as intenções e as ações efetivas dos consumidores no que respeita a consumo e práticas sustentáveis.  No caso dos norte-americanos, a OgilvyEarth avança com os seguinte números: 82% declaram boas intenções “verdes” mas apenas 16% as coloca em prática. Os restantes 66% constituem o “Middle Green,” (o “Centrão Verde”) que quer fazer mais mas acaba não fazendo. É esta imensa maioria silenciosa que constitui o objeto de estudo da segunda parte do documento onde se procuram explicações para essa Lacuna Verde e se propõem algumas soluções para a reduzir. Vale a pena prestar atenção até porque quase todas caem como uma luva no mercado brasileiro. Comecemos pelas razões que causam a lacuna:

  • O tema ainda é visto como um nicho para pelo menos 50% dos americanos que consideram o assunto coisa de hippies ou de elites ¹;
  • O preço é o principal obstáculo e os consumidores acabam não aceitando pagar o extra (a “taxa da sustentabilidade“) por um produto “verde” se o desempenho for o mesmo do produto tradicional;
  • A culpabilização muitas vezes utilizada por marketeiros da sustentabilidade para convencer o consumidor acaba funcionando ao contrário: à medida que aumenta a pressão da culpa o cidadão refugia-se no conforto da ignorância e fecha-se para o tema;
  • O assunto é visto como mais feminino do que masculino para 82% dos inquiridos o que leva alguns homens a evitar tomar algumas atitudes que possam ser consideradas pouco masculinas;
  • As marcas tradicionais são preferidas por 73% dos americanos, tornando difícil a entrada no mercado de empresas inovadoras com preocupações ambientais;
  • o tema do Carbono (créditos, mercado, pegada, etc.) apresenta-se muito confuso para 82% dos americanos que não têm a menor idéia de como se calcula a sua “pegada”.

Com estes resultados em mãos o estudo da OgilvyEarth propõe em seguida algumas medidas que considera úteis para que o tema deixe de ser marginal e as atitudes sustentáveis passem a ser padrão. Segundo a consultoria, será esse o caminho a trilhar por todos aqueles interessados em reduzir a Lacuna.

  • Tirar o assunto de nichos e torná-lo normal, dirigido a pessoas normais, fará com que ele se torne um movimento de massas (um bom primeiro passo é acabar com o gueto das seções “verde” ou “sustentabilidade” dos jornais e revistas);
  • Tornar o assunto pessoal, mostrar a sua aplicabilidade prática no dia-a-dia das pessoas contribuirá para a sua familiarização com o público e, portanto, para um maior conhecimento e aceitação. Os ursos polares são importantes mas moram lá longe no Ártico.
  • Atualmente o ônus da escolha é de quem opta pelo “verde”. Se mudarmos o padrão e o “normal” passar a ser sustentável, os consumidores não precisarão da atual atitude assertiva que faz com que muitos se omitam (o exemplo das sacolas plásticas é bem ilustrativo deste ponto);
  • Eliminar a “taxa de sustentabilidade” e acabar com a penalização para quem toma boas atitudes. Produtos caros, verdes ou não, afugentam o público. A grande maioria dos consumidores compra com a calculadora na mão;
  • “Corromper” o consumidor consciente com ofertas, descontos ou programas de pontos é uma estratégia válida e que sempre dá bons resultados;
  • A punição para atitudes “incorretas” deverá ser feita com extremo cuidado. Alguns agentes têm exagerado na dose e na frequência da culpabilização e das penas, o que tem levado a resultados perversos;
  • Apostar na excelência do desempenho, na inovação e na alta tecnologia dos produtos “verdes” contribuirá para a sua popularização;
  • A terminologia “verde”, “sustentável”, “ecológico”, etc. não precisa ser tão onipresente. O seu abuso criou um estigma e afasta o consumidor médio que a associa a grupos sociais muito específicos;
  • Tornar o tema mais “amistoso” para os homens eliminará a resistência que ainda subsiste em parte da metade masculina do mercado consumidor;
  • Desmistificar o assunto e torná-lo fácil de entender para o grande público é condição essencial para que ele se generalize. Explicações complicadas sobre pegada de carbono só vão gastar pilha de controle remoto;
  • Transparência, verdade e simplicidade funcionarão muito melhor do que uma imensa profusão de selos e certificações cuja maior contribuição, até agora, foi a de fomentar a confusão e a desconfiança com que o grande público olha o assunto;
  • O discurso altruísta e virtuoso incomoda e chateia o seu público-alvo. A mudança virá através de palavras e ações cativantes e agradáveis.

¹ Leia o que escrevemos sobre o assunto em “Nem Flintstones nem Jetsons

adaptado de Jetson Green

Lâmpadas: a conta na ponta do lápis

Publicado por ecohabitar a January 17, 2011 em Eficiência Energética | Leia o primeiro comentário

As preocupações com os futuros custos de utilização do imóvel são uma constante nos projetos da Ecohabitar. Também aqui no blog gostamos de divulgar as inovações tecnológicas na área de eficiência energética que poderão contribuir para a redução das contas no final do mês.  Nesse âmbito temos acompanhado com interesse a revolução que o mercado de lâmpadas tem sofrido nos últimos anos.

Na semana passada, à semelhança do que já havia sucedido nos Estados Unidos e União Europeia, o governo brasileiro decretou o fim das lâmpadas incandescentes no país. A tecnologia centenária apenas consegue transformar em luz cerca de 12% da energia que consome, sendo que o restante se perde em calor.

As soluções alternativas passam pelas mal amadas fluorescentes e pelas modernas e ainda caras LED. Na hora da escolha, o cidadão comum encontra um série de informações desencontradas que comparam durabilidade com preço, desempenho com tonalidade de luz, alhos com bugalhos. E então, na dúvida, vai de incandescente.

Pensando nisso o Planeta Sustentável publicou uma ótima matéria sobre o assunto em que, preto no branco, de uma forma muito simples, explica, com um exemplo concreto, os critérios que devem ser considerados quando se comparam as diferentes tecnologias disponíveis :

Para iluminar um ambiente de 15 m2, com pé-direito de 2,80 m, forro branco, paredes em tom areia e piso de madeira, três lâmpadas incandescentes comuns de 100 w garantem a iluminância média (150 lux), recomendável pela Norma NBR 5 413 para atividades gerais em uma residência. Veja o que acontece quando substituímos essas lâmpadas por outras equivalentes, mas com tecnologias diferentes. Compare e economize!

SISTEMA 1
3 lâmpadas comuns incandescentes (R$ 2,50 e 100 w cada)
Fluxo luminoso nominal - 1 620 lúmens
Índice de reprodução de cor - IRC - 100%
Quantidade média de luz no ambiente - 150 lux
Vida média da lâmpada - 750 horas
Gasto com compra de lâmpadas em 1 ano - R$ 10
Energia gasta em 1 ano - R$ 126
Total de gastos em 1 ano - R$ 136

SISTEMA 2
3 lâmpadas halógenas energy saver (R$ 6,50 e 70 w cada)
Fluxo luminoso nominal - 1 450 lúmens
Índice de reprodução de cor - IRC - 100%
Quantidade média de luz no ambiente - 135 lux
Vida média da lâmpada - 2 mil horas
Gasto com compra de lâmpadas em 1 ano - R$ 9,75
Energia gasta em 1 ano - R$ 88,20
Total de gastos em 1 ano - R$ 97,95

SISTEMA 3

3 lâmpadas fluorescentes compactas (R$ 18,50 e 23 w cada)
Fluxo luminoso nominal - 1 400 lúmens
Índice de reprodução de cor - IRC - 80 a 89%
Quantidade média de luz no ambiente - 130 lux
Vida média da lâmpada - 6 mil horas
Gasto com compra de lâmpadas em 1 ano - R$ 9,25
Energia gasta em 1 ano - R$ 28,98
Total de gastos em 1 ano - R$ 38,23

SISTEMA 4

3 lâmpadas led (R$ 206 e 8 w cada)
Fluxo luminoso nominal - 600 lúmens
Índice de reprodução de cor - IRC - 80%
Quantidade média de luz no ambiente - 123 lux
Vida média da lâmpada - 70 mil horas
Gasto com compra de lâmpadas em 1 ano - R$ 25,75 (total diluído em 24 anos)
Energia gasta em 1 ano - R$ 10,16
Total de gastos em 1 ano - R$ 35,91

ver matéria completa aqui

Quanto gasta a sua casa: um novo paradigma imobiliário

Publicado por ecohabitar a December 15, 2010 em Design Inteligente, Eficiência Energética, Opinião, Uso Racional da Água | Leia o primeiro comentário

No mercado brasileiro, à semelhança do que já sucedeu em outras latitudes, assiste-se a uma progressiva universalização do crédito. No caso do mercado imobiliário, o montante total financiado no país bate novos recordes a cada trimestre, os prazos de financiamento estendem-se a 30 anos, o percentual do empréstimo já bate nos 80% do preço do imóvel (em alguns casos chega mesmo à totalidade) e construtoras que financiam diretamente possibilitam mesmo pagar o valor de entrada em até 10 vezes no cartão de crédito.

Chegamos assim a uma situação impensável há poucos anos: o cidadão comum pode assinar a escritura de compra do seu imóvel sem ter que meter a mão no bolso. O critério que orienta a compra deixa de ser o valor da etiqueta com o preço e passa a ser o montante da parcela mensal a ser paga. Ante a perspetiva de uma casa nova, a pergunta a ser feita deixa de ser “será que tenho o suficiente para comprar?” para passar a algo como “será que terei todos os meses o suficiente para conseguir mantê-la?“.

Nesta nova realidade, o custo do imóvel passa a ser o valor da prestação mensal do financiamento acrescida dos demais encargos mensais como o seguro obrigatório, condomínio, contas de água, luz, etc.  Assim, dois imóveis com o mesmo preço de venda e financiados nas mesmas condições podem, no entanto, ter custos bem diferentes dependendo de como o projeto arquitetônico de cada um tratou temas como eficiência energética, racionalização do consumo de água ou simplicidade de manutenção.

Em um mercado imobiliário em que a grande maioria ainda projeta e constrói com foco na venda e não na futura utilização do imóvel, unidades menos gastadoras ganham uma clara vantagem competitiva que poderá se acentuar se se confimarem as projeções para os próximos anos de elevação de preços de água e eletricidade acima da inflação.

A lâmpada híbrida da GE

Publicado por ecohabitar a October 28, 2010 em Design Inteligente, Eficiência Energética | 3 Comentários

A General Electric anunciou recentemente que em 2011 irá lançar no mercado norte-americano uma lâmpada híbrida de halogêneo e fluorescente. A ideia é ultrapassar o problema de temperatura que afeta as lâmpadas fluorescentes, que só atingem a sua luminescência total depois de um período de aquecimento.  O novo modelo, que na verdade comporta duas lâmpadas dentro da ampola, soluciona a questão através da lâmpada de halogênio, que se aloja no interior da espiral fluorescente, e que funciona apenas enquanto a sua “colega” ganha potência.

O fabricante afirma aínda que esta nova tecnologia reduziu substancialmente o teor de mercúrio utilizado por unidade, um dos principais óbices levantados contra a utilização (e descarte) das lâmpadas fluorescentes. O tempo de vida do novo produto é estimado como sendo semelhante ao das fluorescentes tradicionais, ou seja, 8.000 horas.

com informações de  Green Tech

Sua casa sustentável pronta em 60 dias por R$45 mil (II)

Publicado por ecohabitar a September 23, 2010 em Design Inteligente, Eficiência Energética, Uso Racional da Água | Leia o primeiro comentário

Quando, em Março, fizemos este post sobre o projeto “Minha Casa Holcim“, fomos inundados de e-mails que nos perguntaram como fazer para aderir, onde procurar, etc. Para os interessados, chega a notícia que a primeira unidade do projeto foi inaugurada no passado dia 14, em Viana, Espírito Santo.

O empreendimento foi possível graças a uma parceria com a loja Colodetti Materiais de Construção Ltda., que investiu cerca de R$ 500 mil para montar a construtora e adquirir equipamentos, quiosques e terrenos. Os donos prevêm a construção de outras 20 a 30 casas no decurso do próximo ano já que há mais de 40 interessados cadastrados.

Existem cinco modelos de habitação, com áreas de 46 m² a 68 m² cujo preço oscila entre R$ 1mil e R$ 1,2 mil por m². O grande diferencial do sistema é que o cliente compra na loja um pacote pronto que engloba projeto, todos os materiais e a mão-de-obra.

com informações de Construção Total, PINIweb e ESHoje