Prejuízo Líquido

Publicado por ecohabitar a June 8, 2011 em Uso Racional da Água | Seja o primeiro a comentar

in Folha de S. Paulo

TROCAR A VELHA DESCARGA E O CHUVEIRO GASTÃO PODE FAZER A CONTA DE ÁGUA DESPENCAR

EDUARDO GERAQUE

DE SÃO PAULO

Na próxima vez que você entrar no banheiro de sua casa, olhe o vaso sanitário. Se ele for equipado com a velha válvula de parede, o equipamento estará fazendo mal tanto para o ambiente quanto para o seu bolso. Durante um mês, os disparos dos botões da descarga podem representar 30% do consumo de uma casa.

“Esse é um ponto importante a ser atacado. Existem tecnologias no mercado que não custam mais caro que as tradicionais, e podem atenuar o problema”, diz Martha Nader, arquiteta especializada em sustentabilidade.

Uma válvula de parede joga esgoto abaixo com dois litros de água/segundo. Em dez segundos são 20 litros. Se cada membro de uma família de quatro pessoas for duas vezes ao banheiro por dia, em um mês, serão gastos, apenas com a descarga, 4,8 mil litros de água.

“Hoje, com as caixas acopladas de duplo acionamento [para urina e fezes], de três e seis litros, a economia pode ser brutal”, diz Nader. No exemplo da típica família brasileira, apenas com a água usada no vaso sanitário, a troca de descarga poderia gerar uma redução de 80% no consumo de água.

Para não sair do banheiro, o chuveiro é o segundo item que precisa ser avaliado. Em todas as lojas especializadas existem equipamentos baratos, chamados de redutores de vazão, que contribuem para baixar o consumo de água. Quem toma banho simplesmente, não percebe grande diferença, talvez apenas melhora na pressão da ducha. Mas quem paga a conta de água, certamente vai adorar a mudança.

Estimativas feitas pela Sabesp mostram que a redução no consumo de água de uma casa pode variar de 32% a 62% no final de um mês. Somadas, a água usada na descarga e no banho podem representar 50% da conta de uma residência tradicional.

FIM DO PINGA-PINGA

Você trocou as descargas e os chuveiros por equipamentos menos perdulários. A reforma contemplou ainda torneiras mais econômicas e uma nova máquina de lavar -alguns modelos lavam cinco quilos de roupa com mais de 100 litros de água. Um exagero, dizem os técnicos.

Mesmo assim, ainda há o que fazer para poupar água. Numa cidade como São Paulo, onde chove muito no verão, um projeto para captar e reutilizar a água da chuva, por exemplo, poderia reduzir ainda mais o consumo. “Nosso índice pluviométrico é alto. De dezembro a março é perfeitamente viável montar um sistema para não gastar um centavo com água para descargas”, diz Nader.

Ainda resta outra ação factível: uma boa revisão nos banheiros e na cozinha acaba com o famoso pinga-pinga das torneiras e baixa o consumo em mais 15%.

50%
Da conta de água de sua casa correspondem ao banho da família e à quantidade de descargas dadas durante o mês

Quanto gasta a sua casa: um novo paradigma imobiliário

Publicado por ecohabitar a December 15, 2010 em Design Inteligente, Eficiência Energética, Opinião, Uso Racional da Água | Leia o primeiro comentário

No mercado brasileiro, à semelhança do que já sucedeu em outras latitudes, assiste-se a uma progressiva universalização do crédito. No caso do mercado imobiliário, o montante total financiado no país bate novos recordes a cada trimestre, os prazos de financiamento estendem-se a 30 anos, o percentual do empréstimo já bate nos 80% do preço do imóvel (em alguns casos chega mesmo à totalidade) e construtoras que financiam diretamente possibilitam mesmo pagar o valor de entrada em até 10 vezes no cartão de crédito.

Chegamos assim a uma situação impensável há poucos anos: o cidadão comum pode assinar a escritura de compra do seu imóvel sem ter que meter a mão no bolso. O critério que orienta a compra deixa de ser o valor da etiqueta com o preço e passa a ser o montante da parcela mensal a ser paga. Ante a perspetiva de uma casa nova, a pergunta a ser feita deixa de ser “será que tenho o suficiente para comprar?” para passar a algo como “será que terei todos os meses o suficiente para conseguir mantê-la?“.

Nesta nova realidade, o custo do imóvel passa a ser o valor da prestação mensal do financiamento acrescida dos demais encargos mensais como o seguro obrigatório, condomínio, contas de água, luz, etc.  Assim, dois imóveis com o mesmo preço de venda e financiados nas mesmas condições podem, no entanto, ter custos bem diferentes dependendo de como o projeto arquitetônico de cada um tratou temas como eficiência energética, racionalização do consumo de água ou simplicidade de manutenção.

Em um mercado imobiliário em que a grande maioria ainda projeta e constrói com foco na venda e não na futura utilização do imóvel, unidades menos gastadoras ganham uma clara vantagem competitiva que poderá se acentuar se se confimarem as projeções para os próximos anos de elevação de preços de água e eletricidade acima da inflação.

Sua casa sustentável pronta em 60 dias por R$45 mil (II)

Publicado por ecohabitar a September 23, 2010 em Design Inteligente, Eficiência Energética, Uso Racional da Água | Leia o primeiro comentário

Quando, em Março, fizemos este post sobre o projeto “Minha Casa Holcim“, fomos inundados de e-mails que nos perguntaram como fazer para aderir, onde procurar, etc. Para os interessados, chega a notícia que a primeira unidade do projeto foi inaugurada no passado dia 14, em Viana, Espírito Santo.

O empreendimento foi possível graças a uma parceria com a loja Colodetti Materiais de Construção Ltda., que investiu cerca de R$ 500 mil para montar a construtora e adquirir equipamentos, quiosques e terrenos. Os donos prevêm a construção de outras 20 a 30 casas no decurso do próximo ano já que há mais de 40 interessados cadastrados.

Existem cinco modelos de habitação, com áreas de 46 m² a 68 m² cujo preço oscila entre R$ 1mil e R$ 1,2 mil por m². O grande diferencial do sistema é que o cliente compra na loja um pacote pronto que engloba projeto, todos os materiais e a mão-de-obra.

com informações de Construção Total, PINIweb e ESHoje

Chuveiro híbrido: alguém já viu?

Publicado por ecohabitar a June 9, 2010 em Eficiência Energética, Uso Racional da Água | 3 Comentários

O estudo Avaliação do consumo de insumos (água, energia  elétrica e gás) em chuveiro elétrico, aquecedor a gás, chuveiro híbrido solar, aquecedor solar e aquecedor de acumulação elétrico, elaborado pelo Centro Internacional de Referência em Reuso de Água (CIRRA) da Escola Politécnica (Poli) da USP, de que já falámos aqui e aqui inclui, entre os diversos tipos testados, o chuveiro híbrido solar. Este modelo, na definição dos autores do estudo, “é um aquecedor solar com um chuveiro elétrico no ponto de uso” (pag. 1, linha 16).

Um relatório preliminar do estudo, divulgado em 16/04/2009 pelo CIRRA, descreve os equipamentos testados e respetivo preço de aquisição e montagem. Já havíamos questionado aqui o método que permitiu que chuveiros de vazão diferente fossem instalados nos sistemas testados. Se um dos parâmetros do estudo era a economia de água todos os chuveiros teriam que ter uma vazão igual. De outro modo, aqueles que utilizassem uma vazão menor gastariam menos água que os outros. Foi exatamente isso que se verificou: os dois pontos de chuveiro elétrico e o ponto de “chuveiro híbrido” fizeram uso do modelo “Compacta” da Cardal, que  vazou uma média de 4lt/min. ao longo do estudo enquanto que todos os outros sistemas testados (nomeadamente o solar) utilizaram o modelo Big Ducha (!!!) da mesma marca, que vazou 8,7lt/min. É evidente então que a economia de água conseguida resulta do modelo de chuveiro utilizado e não do sistema usado para aquecer a água.

Mas voltemos à descrição dos equipamentos e respetivo preço. Os sistemas testados no estudo são, com apenas uma excepção, bem conhecidos do público consumidor e são susceptíveis de serem pesquisados e seus diversos modelos e preços comparados. A excepção é o “chuveiro híbrido” que é definido no estudo, sem maiores detalhes, como “um aquecedor solar com um chuveiro elétrico no ponto de uso“. Na descrição dos “equipamentos de aquecimento de água, chuveiros e duchas utilizados no sistema experimental” que consta do tal relatório preliminar (pag. 4, linha 1), constam os componentes de todos os sistemas testados menos um: o “chuveiro híbrido solar”. Assim sendo, cabem algumas perguntas: o “chuveiro hibrido solar” foi inventado pelos autores do estudo? Como é formado? Como funciona? Como se chegou ao seu preço (R$688,00 mais R$200,00 de instalação)? Quando é ligado, qual dos seus dois sistemas (solar ou elétrico) funciona primeiro? Como se faz a comutação entre os seus dois sistemas? Como pode um sistema que não está presente no mercado ser apresentado como uma alternativa válida para o consumidor comum?

Um ogro é um ogro: de novo os chuveiros elétricos

Publicado por ecohabitar a May 26, 2010 em Eficiência Energética, Opinião, Uso Racional da Água | 10 Comentários

A agência USP de notícias divulgou as conclusões do estudo Avaliação do consumo de insumos (água, energia  elétrica e gás) em chuveiro elétrico, aquecedor a gás, chuveiro híbrido solar, aquecedor solar e aquecedor de acumulação elétrico, elaborado pelo Centro Internacional de Referência em Reuso de Água (Cirra) da Escola Politécnica (Poli) da USP. De acordo com os autores, o estudo enterra definitivamente a fama do chuveiro elétrico como vilão da conta de energia. A notícia repercutiu favoravelmente na imprensa inclusive naquela mais especializada e atenta ao tema. A explicação apresentada para a maior eficiência do chuveiro elétrico face aos outros sistemas em “competição” é o seu baixo consumo de água, ainda de acordo com o estudo, cujas conclusões mais detalhadas estão disponíveis no site do Grupo de Chuveiros Elétricos da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) que, aliás, apoiou a iniciativa. No entanto…

Em Abril do ano passado a mesma entidade havia já divulgado um relatório parcial sobre a pesquisa em causa anunciando os resultados do primeiro trimestre, idênticos aos de agora, antevendo idênticas conclusões e com uma cobertura mediática semelhante. Na época uma nota emitida pelo Instituto Vitae Civilis criticou fortemente a metodologia adotada no estudo afirmando mesmo que “a divulgação da informação com a parcialidade apresentada pelo grupo de pesquisadores é uma postura incompatível com os preceitos éticos que devem nortear a pesquisa acadêmica“. Esse assunto, na altura, foi também objeto de um post neste blog. Como consideramos os argumentos apresentados aínda válidos, repetimos alguns excertos:

(…) se o fator ‘consumo de água’ é o que explica a diferença de custo do banho entre o chuveiro elétrico e o aqucedor solar, e se o estudo fixa vazões menores para o chuveiro elétrico e maiores para todos os outros equipamentos, é claro que nesta configuração os outros equipamentos apresentarão custos maiores para um banho de mesma duração (…)

(…) o estudo compara chuveiros elétricos de vazão baixa (média de 4 litros por minuto ao longo do estudo) com um aquecedor solar de vazão mais elevada (8,7 litros por minuto), sem sequer trazer uma nota de pé de página observando que existem no mercado chuveiros elétricos com vazões de entre 8 a 10 litros por minuto. Esta consideração seria importante porque, certamente, se o chuveiro utilizado no estudo fosse um destes, os resultados seriam bastante diferentes.(…)

(…) Não deixa de ser curiosa a escolha dos modelos de chuveiro utilizados. Para o chuveiro elétrico foi usado um modelo da Cardal denominado “compacta“. Para os outros tipos de chuveiro (aquecedor de passagem a gás, aquecedor solar e boiler) foi utilizado um outro modelo da mesma Cardal, este denominado Big Ducha (!). Ante a curiosa nomenclatura dos modelos, algum observador mais malicioso, sabendo quem encomendou o estudo poderia sugerir que o mesmo estaria viciado de início… (…)

Para finalizar, apenas duas notas:

1) seria interessante que fossem disponibilizados os dados totais do estudo, tal como foi feito para o relatório parcial aqui e não apenas as conclusões do CIRRA e/ou do Grupo de Chuveiros da ABINEE.

2) por se tratar de um assunto que envolve direitos do consumidor e afeta toda a população brasileira, é de lamentar a continuada postura passiva de órgãos de comunicação com responsabilidades cujo trabalho, no caso em questão, se limitou em duas ocasiões a transcrever press-releases de entidades com óbvios interesses na matéria.

Certificação também para torneiras

Publicado por ecohabitar a March 4, 2010 em Uso Racional da Água | Seja o primeiro a comentar

in Revista Sustentabilidade

A Docol, fabricante brasileira de metais sanitários, obteve o selo australiano Wels (Water Efficiency Labelling Scheme) atribuído a produtos que atendem a padrões de combate ao desperdício de água.

O Wels certifica produtos que atendem a um grau de excelência em economia de água e funciona de forma semelhante ao selo brasileiro do Procel (Programa de Conservação de Energia Elétrica) que classifica equipamentos com relação ao consumo de energia elétrica.

O selo integra o credenciamento Watermark que foi entregue a Docol após um ano de avaliações. O Watermark aprova a venda de torneiras automáticas para Austrália e Nova Zelândia.

Baseada em normas britânicas e estadunidenses de economia e qualidade da água, a certificação é concedida pelo governo australiano às fabricantes de metais sanitários que atenderem a padrões pré-estabelecidos, que vão desde a drenagem até o abastecimento para uso final da população.

A identificação dos produtos certificados é feita por meio de uma gravação em local visível da peça, de modo que o consumidor visualize que, por exemplo, uma torneira tenha sido produzida observando padrões de combate ao desperdício de água.

Buscar água no ar: TED São Paulo

Publicado por ecohabitar a January 29, 2010 em Uso Racional da Água | Seja o primeiro a comentar

A conferência TED que decorreu em São Paulo no final do ano passado seguiu o modelo adotado em todas as outras cidades por onde tem passado: os oradores dispõem de um tempo máximo de 18 minutos para expor a sua idéia inovadora que eles acham que vale a pena ser partilhada.

Um dos palestrantes, Danilo Mendes, apresentou uma solução para o crescente problema da escassez de água potável de que, aliás, já falamos aqui diversas vezes: uma máquina que produz água retirando-a do ar.

Assista à palestra aqui