Chuveiro híbrido: alguém já viu?

Publicado por ecohabitar a June 9, 2010 em Eficiência Energética, Uso Racional da Água | 2 Comentários

O estudo Avaliação do consumo de insumos (água, energia  elétrica e gás) em chuveiro elétrico, aquecedor a gás, chuveiro híbrido solar, aquecedor solar e aquecedor de acumulação elétrico, elaborado pelo Centro Internacional de Referência em Reuso de Água (CIRRA) da Escola Politécnica (Poli) da USP, de que já falámos aqui e aqui inclui, entre os diversos tipos testados, o chuveiro híbrido solar. Este modelo, na definição dos autores do estudo, “é um aquecedor solar com um chuveiro elétrico no ponto de uso” (pag. 1, linha 16).

Um relatório preliminar do estudo, divulgado em 16/04/2009 pelo CIRRA, descreve os equipamentos testados e respetivo preço de aquisição e montagem. Já havíamos questionado aqui o método que permitiu que chuveiros de vazão diferente fossem instalados nos sistemas testados. Se um dos parâmetros do estudo era a economia de água todos os chuveiros teriam que ter uma vazão igual. De outro modo, aqueles que utilizassem uma vazão menor gastariam menos água que os outros. Foi exatamente isso que se verificou: os dois pontos de chuveiro elétrico e o ponto de “chuveiro híbrido” fizeram uso do modelo “Compacta” da Cardal, que  vazou uma média de 4lt/min. ao longo do estudo enquanto que todos os outros sistemas testados (nomeadamente o solar) utilizaram o modelo Big Ducha (!!!) da mesma marca, que vazou 8,7lt/min. É evidente então que a economia de água conseguida resulta do modelo de chuveiro utilizado e não do sistema usado para aquecer a água.

Mas voltemos à descrição dos equipamentos e respetivo preço. Os sistemas testados no estudo são, com apenas uma excepção, bem conhecidos do público consumidor e são susceptíveis de serem pesquisados e seus diversos modelos e preços comparados. A excepção é o “chuveiro híbrido” que é definido no estudo, sem maiores detalhes, como “um aquecedor solar com um chuveiro elétrico no ponto de uso“. Na descrição dos “equipamentos de aquecimento de água, chuveiros e duchas utilizados no sistema experimental” que consta do tal relatório preliminar (pag. 4, linha 1), constam os componentes de todos os sistemas testados menos um: o “chuveiro híbrido solar”. Assim sendo, cabem algumas perguntas: o “chuveiro hibrido solar” foi inventado pelos autores do estudo? Como é formado? Como funciona? Como se chegou ao seu preço (R$688,00 mais R$200,00 de instalação)? Quando é ligado, qual dos seus dois sistemas (solar ou elétrico) funciona primeiro? Como se faz a comutação entre os seus dois sistemas? Como pode um sistema que não está presente no mercado ser apresentado como uma alternativa válida para o consumidor comum?

Um ogro é um ogro: de novo os chuveiros elétricos

Publicado por ecohabitar a May 26, 2010 em Eficiência Energética, Opinião, Uso Racional da Água | 7 Comentários

A agência USP de notícias divulgou as conclusões do estudo Avaliação do consumo de insumos (água, energia  elétrica e gás) em chuveiro elétrico, aquecedor a gás, chuveiro híbrido solar, aquecedor solar e aquecedor de acumulação elétrico, elaborado pelo Centro Internacional de Referência em Reuso de Água (Cirra) da Escola Politécnica (Poli) da USP. De acordo com os autores, o estudo enterra definitivamente a fama do chuveiro elétrico como vilão da conta de energia. A notícia repercutiu favoravelmente na imprensa inclusive naquela mais especializada e atenta ao tema. A explicação apresentada para a maior eficiência do chuveiro elétrico face aos outros sistemas em “competição” é o seu baixo consumo de água, ainda de acordo com o estudo, cujas conclusões mais detalhadas estão disponíveis no site do Grupo de Chuveiros Elétricos da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) que, aliás, apoiou a iniciativa. No entanto…

Em Abril do ano passado a mesma entidade havia já divulgado um relatório parcial sobre a pesquisa em causa anunciando os resultados do primeiro trimestre, idênticos aos de agora, antevendo idênticas conclusões e com uma cobertura mediática semelhante. Na época uma nota emitida pelo Instituto Vitae Civilis criticou fortemente a metodologia adotada no estudo afirmando mesmo que “a divulgação da informação com a parcialidade apresentada pelo grupo de pesquisadores é uma postura incompatível com os preceitos éticos que devem nortear a pesquisa acadêmica“. Esse assunto, na altura, foi também objeto de um post neste blog. Como consideramos os argumentos apresentados aínda válidos, repetimos alguns excertos:

(…) se o fator ‘consumo de água’ é o que explica a diferença de custo do banho entre o chuveiro elétrico e o aqucedor solar, e se o estudo fixa vazões menores para o chuveiro elétrico e maiores para todos os outros equipamentos, é claro que nesta configuração os outros equipamentos apresentarão custos maiores para um banho de mesma duração (…)

(…) o estudo compara chuveiros elétricos de vazão baixa (média de 4 litros por minuto ao longo do estudo) com um aquecedor solar de vazão mais elevada (8,7 litros por minuto), sem sequer trazer uma nota de pé de página observando que existem no mercado chuveiros elétricos com vazões de entre 8 a 10 litros por minuto. Esta consideração seria importante porque, certamente, se o chuveiro utilizado no estudo fosse um destes, os resultados seriam bastante diferentes.(…)

(…) Não deixa de ser curiosa a escolha dos modelos de chuveiro utilizados. Para o chuveiro elétrico foi usado um modelo da Cardal denominado “compacta“. Para os outros tipos de chuveiro (aquecedor de passagem a gás, aquecedor solar e boiler) foi utilizado um outro modelo da mesma Cardal, este denominado Big Ducha (!). Ante a curiosa nomenclatura dos modelos, algum observador mais malicioso, sabendo quem encomendou o estudo poderia sugerir que o mesmo estaria viciado de início… (…)

Para finalizar, apenas duas notas:

1) seria interessante que fossem disponibilizados os dados totais do estudo, tal como foi feito para o relatório parcial aqui e não apenas as conclusões do CIRRA e/ou do Grupo de Chuveiros da ABINEE.

2) por se tratar de um assunto que envolve direitos do consumidor e afeta toda a população brasileira, é de lamentar a continuada postura passiva de órgãos de comunicação com responsabilidades cujo trabalho, no caso em questão, se limitou em duas ocasiões a transcrever press-releases de entidades com óbvios interesses na matéria.

Certificação também para torneiras

Publicado por ecohabitar a March 4, 2010 em Uso Racional da Água | Seja o primeiro a comentar

in Revista Sustentabilidade

A Docol, fabricante brasileira de metais sanitários, obteve o selo australiano Wels (Water Efficiency Labelling Scheme) atribuído a produtos que atendem a padrões de combate ao desperdício de água.

O Wels certifica produtos que atendem a um grau de excelência em economia de água e funciona de forma semelhante ao selo brasileiro do Procel (Programa de Conservação de Energia Elétrica) que classifica equipamentos com relação ao consumo de energia elétrica.

O selo integra o credenciamento Watermark que foi entregue a Docol após um ano de avaliações. O Watermark aprova a venda de torneiras automáticas para Austrália e Nova Zelândia.

Baseada em normas britânicas e estadunidenses de economia e qualidade da água, a certificação é concedida pelo governo australiano às fabricantes de metais sanitários que atenderem a padrões pré-estabelecidos, que vão desde a drenagem até o abastecimento para uso final da população.

A identificação dos produtos certificados é feita por meio de uma gravação em local visível da peça, de modo que o consumidor visualize que, por exemplo, uma torneira tenha sido produzida observando padrões de combate ao desperdício de água.

Buscar água no ar: TED São Paulo

Publicado por ecohabitar a January 29, 2010 em Uso Racional da Água | Seja o primeiro a comentar

A conferência TED que decorreu em São Paulo no final do ano passado seguiu o modelo adotado em todas as outras cidades por onde tem passado: os oradores dispõem de um tempo máximo de 18 minutos para expor a sua idéia inovadora que eles acham que vale a pena ser partilhada.

Um dos palestrantes, Danilo Mendes, apresentou uma solução para o crescente problema da escassez de água potável de que, aliás, já falamos aqui diversas vezes: uma máquina que produz água retirando-a do ar.

Assista à palestra aqui

Fechando o ciclo da água

Publicado por ecohabitar a December 21, 2009 em Preservação Ambiental, Uso Racional da Água | Leia o primeiro comentário

in inovação tecnológica

Águas servidas não são um lixo imprestável, mas uma fonte de matérias-primas valiosas e de energia, capaz de beneficiar sobretudo os países mais pobres.

Esta é a opinião do Dr. Jules van Lier, da universidade holandesa de Delft. “Lembre-se que 2,6 bilhões de pessoas no mundo não possuem saneamento básico, o que resulta em 200 mortes por hora, com a maioria delas ocorrendo em crianças de até cinco anos de idade,” diz o pesquisador.

As águas servidas são normalmente vistas como algo desagradável e perigoso, cujo único destino possível é um tubo para que as leve para bem longe.

Entretanto, ao longo das últimas décadas, as tecnologias de tratamento vêm-se tornando cada vez mais eficazes na remoção dos componentes que podem causar danos à saúde.

“Com um exame mais aprofundado, é fácil ver que as águas servidas são na verdade uma corrente rica de matérias-primas valiosas derivadas das atividades econômicas ou domésticas,” defende o pesquisador.

Segundo ele, no futuro, as plantas de tratamento de esgotos deverão se transformar em plantas de reprocessamento, capazes de produzir água adequada para reúso, fechando o ciclo de uso da água pelas indústrias e pelas residências.

clique aqui para ler a matéria completa

Escassez no país das águas

Publicado por ecohabitar a December 10, 2009 em Uso Racional da Água | 3 Comentários

Segundo a Agência Nacional de Águas, o Brasil, país detentor de 12% das reservas mundiais de água doce, precisa de investimentos de R$ 27,7 bi para garantir o abastecimento das suas populações em um futuro próximo. Sobre o assunto, Fernando Rodrigues escreveu em seu blog:

Relatório da Agência Nacional de Águas (ANA) mostra que a demanda de água em regiões metropolitanas já é maior do que a produção atual do recurso. Serão necessários investimentos de R$ 27,7 bilhões para impedir um colapso no setor nos próximos 15 anos, quando as regiões metropolitanas estudadas terão um aumento de 25 milhões de habitantes.

Esses R$ 27,7 bilhões, a título de comparação, representam um valor maior do que tudo o que o governo federal gastou neste ano de 2009 para conter os efeitos da crise financeira internacional. Os cortes de impostos em vários setores da economia custaram cerca de R$ 22 bilhões a R$ 23 bilhões para os cofres do Tesouro Nacional.

O investimento necessário em produção, tratamento e fornecimento de águas é de R$ 12,024 bilhões, segundo a ANA. Para o tratamento de esgotos, a agência estima investimentos de R$ 15,699 bilhões. A soma desses dois valores resulta nos R$ 27,7 bilhões estimados pelo estudo –como pode ser comprovado no detalhamentos dos quadros apresentados ao final deste post.

As demandas urbanas atuais, em torno de 356 m3/s, são ligeiramente superiores à capacidade atual de produção de água (quase 352 m3/s), demonstrando que parte das unidades dos sistemas produtores opera em regime de sobrecarga ou de forma inadequada”, aponta o atlas sobre as regiões metropolitanas lançado pela ANA nesta quarta-feira (9.dez.2009).

integra do post aqui,

com informações e texto do Blog do Fernando Rodrigues

Walmart: sustentabilidade mainstream

Publicado por ecohabitar a October 26, 2009 em Design Inteligente, Eficiência Energética, Uso Racional da Água | Seja o primeiro a comentar

À primeira vista, trata-se de mais uma unidade da rede Wal-Mart inaugurada no Brasil. Nada que salte aos olhos indica que a loja na zona oeste de São Paulo, aberta no final de abril, seja muito diferente de outras do grupo. O Wal-Mart a “vende”, porém, como sua segunda loja ecoeficiente implantada no Brasil e a primeira com essa concepção a entrar em operação na capital paulista. As lojas eco - expressão cunhada pelo grupo - tornaram-se modelo para as operações da rede no país e foram concebidas para diminuir em 40% o uso de energia elétrica nas edificações e reduzir em 25% o consumo de água. Na realidade, o cardápio de sustentabilidade incorporado à unidade situada na avenida Francisco Morato, no bairro do Morumbi, é bem mais extenso - ultrapassa 60 itens, mas nenhum deles se encontra exposto nas gôndolas. (…)
Atualmente, tornou-se imperativo vincular qualquer empreendimento à sustentabilidade e ao uso racional da energia. No caso do Wal-Mart Morumbi, além do reaproveitamento da água de chuva e do uso da iluminação natural, há a utilização de placas voltaicas para a geração de energia solar, paredes verdes para sombreamento e até bacias e mictórios que funcionam a vácuo, gastando quantidade mínima de água. O planeta agradece. E o Wal-Mart fatura.
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