Energia Inteligente

Publicado por ecohabitar a June 11, 2009 em Atualidades, Eficiência Energética |

Está em curso uma revolução que mudará o modo como se transmite, distribui e consome eletricidade no mundo e que pretende trazer a atividade dos moldes em que foi configurada na década de 1950 para a era digital. Matéria recente da Época Negócios fala sobre o tema e revela-nos as potencialidades do novo sistema:

“A principal ideia é que o sistema elétrico transporte, além de energia, informação. Hoje os sistemas existentes são classificados, sem nenhuma cerimônia, como burros. A estrutura foi construída para grandes fontes estáveis de energia com o objetivo de levar eletricidade numa única direção: da geração em locais distantes até o consumidor final. Apesar de existirem o que os especialistas chamam de ilhas de automação dentro da estrutura, o fato é que quando acaba a luz em algum lugar, a empresa distribuidora só fica sabendo se um consumidor ligar reclamando. Para achar a falha, ela precisa mandar uma equipe a campo. O sistema tampouco sabe em detalhes como a energia é consumida, perdida ou roubada no caminho.

O smart grid propõe uma transformação profunda em tudo isso. (…) Para ser inteligente, uma rede precisa de sensores e comunicação integrada que permitam um monitoramento completo e constante do fluxo da energia. “Você passa a ver o sistema como se fosse uma indústria na qual todo o processo está automatizado”, diz Arnoldo Magela Morais, superintendente do projeto de redes inteligentes da Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais). Além de monitorar, o sistema deve tomar decisões de forma automática e remota. A intenção é que seja possível desde ligar a luz de um consumidor a distância até ter softwares que redirecionem sozinhos a transmissão de energia nos cabos para evitar sobrecargas. “Um sistema assim poderia detectar o ponto exato de uma falha e levar a equipe até ele”, afirma Morais. “Além disso, ele permitiria manter ligadas áreas não afetadas por uma falha, para minimizar o número de atingidos.” Hoje, muita gente fica sem luz porque as distribuidoras têm de desconectar grandes áreas enquanto tentam descobrir exatamente onde ocorreu uma queda.

Num estágio mais avançado, os sitemas permitem aínda que o cliente possa escolher o tipo de energia que deseja consumir (eólica, nuclear, etc.),  ou, à semelhança do que existe com operadoras de celular, adotar pacotes de energia pré-paga, onde, por exemplo, ”a pessoa pagaria pelo consumo básico, para alguns itens da casa, e tudo que passasse disso seria cobrado à parte.” Nos Estados Unidos já existem distribuidoras que, além de vender eletricidade ao utilizador final, elas podem, em algumas ocasiões, comprar dele o excedente produzido pelos seus painéis fotovoltaicos, compondo assim uma espécie de conta-corrente com cada consumidor onde existem débitos e créditos de energia. Como já vimos aqui, também a Google surfa a onda das smart grids e, com a colaboração de algumas distribuidoras de energia, criou um software que permite a cada consumidor ter acesso aos seus dados de consumo elétrico em tempo real no seu computador.

No Brasil, ao contrário do que sucede, por exemplo nos Estados Unidos ou na Itália, o processo aínda mal começou. O principal óbice à implantação das novas redes é o alto custo do investimento. Assim, os primeiros passos foram dados com a medição eletrônica já que, segundo a reportagem da Época Negócios, “a principal motivação das distribuidoras brasileiras são as perdas com fraudes de energia.(…) Segundo cálculo da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), as perdas com desvios, os chamados gatos, e os erros de medição chegaram a R$ 5,5 bilhões em 2007.

Assim, e enquanto os investimentos em infra-estrutura não chegam, as empresas do setor se adaptam como podem às especificidades do mercado brasileiro. Na 25ª Feira Internacional da Indústria Elétrica, Energia e Automação (FIEE) que ocorreu em São Paulo no início do mês, a Energias do Brasil, subsidiária da EDP, apresentou ao mercado um medidor eletrônico de consumo de energia, desenvolvido em parceria com a PT Inovação, que permitirá pagamento antecipado (pré-pago) da conta de eletricidade.

Os medidores de energia inteligente desenvolvidos em conjunto pela ECIL, aliados à tecnologia de tarifação em tempo real da PT Inovação e ao conhecimento de mercado de energia elétrica da EDP, permitirão a concepção e desenvolvimento de novos conceitos de tarifação de energia elétrica que poderão ser utilizados nas futuras soluções de distribuição de energia elétrica controlada. (ler mais aqui)

A subsidiária da EDP pretende realizar futuramente um projeto-piloto da nova tecnologia, com um grupo alvo de consumidores, em São Paulo. Alguém se candidata?

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